Ainda sob o impacto da morte prematura de dois jovens, de 20 anos, cuja causa está sob investigação, com possibilidade de ter sido causada pelo excesso de consumo de drogas, a equipe do Portal de notícias Fato Real, de Conselheiro Lafaiete, trouxe a público uma história com um final que toda mãe e todo pai sonha em ter quando descobre que seu filho ou filha está entrando para o caminho do crime, quase sempre sem volta…. Quase!
Um jovem, de aparência serena, com mochila nas costas, fone no ouvido e aparentando muita calma, aguardava na recepção da delegacia para falar com o delegado. Pouco depois descobriu-se que ele, por conta própria, tinha tomado a decisão de ir agradecer ao Dr. Daniel Gomes, titular da Delegacia Antidrogas.
No mundo das drogas

Mateus tem apenas 19 anos, mas uma vida de longa experiência com drogas e crimes. Dos 14 aos 16 anos viveu, segundo seu próprio relato, consumindo drogas e frequentando festas regradas a muito álcool. Não demorou muito e passou de usuário a traficante. “Era muito dinheiro e dinheiro que chegava de maneira fácil. Fiquei deslumbrado. Aos 16 anos eu já estava completamente viciado e independente financeiramente”.
Por outro lado, sua vida familiar já não existia mais. Houve o afastamento social e o sofrimento da mãe, figura que mais tarde teria importância fundamental na sua vida. Ainda menor de idade, Mateus foi apreendido pela polícia.
Após sair do acautelamento, a família tentou mais uma vez recuperar Mateus. Toda uma corrente de atenção, cuidado e amor foi formada ao seu redor. “Naquela época eu cheguei a ficar um mês sem sair de casa. Minha mãe foi fundamental. No auge do desespero, sem saber mais o que fazer, ela foi até a delegacia pedir conselho para o Dr. Daniel. Naquela época havia uma possibilidade dela arrumar um emprego muito longe de Lafaiete, em outro estado, onde ela não conhecia nada nem ninguém. Ele disse a ela, que se tivesse esta chance, deveria ir, porque era uma das poucas chances de me salvar”, disse Mateus.
Recomeço
Assim sendo, Mãe e filho mudaram-se para outro estado. Foram dias, meses e anos difíceis de recuperação e readaptação. “Minha mãe nunca desistiu de mim. E aos poucos eu fui me reerguendo. Fiquei internado para tratamento de desintoxicação, passei a frequentar o grupo Narcóticos Anônimos, arrumei um emprego e estudo. Hoje não uso drogas, nem consumo bebida alcoólica”.
Hoje, Mateus disse que reconquistou o respeito de sua família e brinca que às vezes até pedem conselhos para ele. De férias, ele esteve em Lafaiete na última semana. “Vim sozinho, minha mãe ficou preocupada, mas, confiou em mim. Revi amigos que continuam na mesma, vi que pessoas mudaram, mas, também fiquei sabendo que pessoas daquela minha antiga vida morreram, jovens”.

Emocionado com a atitude do jovem, o delegado Daniel Gomes de Oliveira, filho do conhecido cardiologista Doutor Carlos Alberto, que por muitos anos trabalhou em Barroso, disse ao Fato Real que a visita dele foi uma das alegrias que teve nestes anos de trabalho em Lafaiete. “É uma alegria ver uma história com uma reviravolta desta. O Mateus foi uma das pessoas que esteve nas páginas policiais da imprensa, foi apreendido quando menor, parecia perdido e se recuperou. Se pudemos contribuir de alguma forma, eu fico muito feliz. Isto mostra a importância social da polícia.”
Mateus explicou o porque foi à delegacia agradecer ao Dr. Daniel: “Porque ele ouviu minha mãe numa época em que ela estava desesperada e desiludida. Aconselhou, orientou e ela fez tudo que fez por mim.”
Perguntado sobre o aconteceria se tivesse continuado em Lafaiete, levando a vida que tinha até os 16 anos, Mateus respondeu: “Eu estaria morto”.
Informações Fato Real