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O que fazer diante da dor de perder um filho? Uma mãe da cidade de Cariacica decidiu amenizar o sofrimento através da escrita. Com essa intenção, a promotora de vendas Maria Cristina de Freitas Oliveira, 45 anos, lançou o livro “Adorando em meio à Tempestade”. Ela conta a história da filha Raika de Freitas Oliveira, que morreu em 2015.

Confira abaixo, a reportagem da ex-repórter do Barroso EM DIA, Raquel Lopes, que atualmente é jornalista da Rede Gazeta, no Espírito Santo.

História

A adolescente de 13 anos, Raika de Freitas Oliveira, morreu tentando salvar uma cachorra que pertencia a vizinhos. O fato aconteceu no Rio Manhuaçu quando a família foi passar o feriado de 7 de setembro na casa de sua avó, na zona rural de Aimorés, em Minas Gerais.

Maria Cristina conta que o livro começou a ser escrito oito meses após a morte da filha. Não só para amenizar a dor, mas também para eternizar a memória dela. Ela juntou depoimentos, fotos e lembranças para contar a história em 147 páginas.

“O livro foi a forma de começar a viver novamente. Cada frase escrita, seja aquelas transmitindo alegria, prazer, amor, preocupação, dor, desespero, confiança e fé, saíram do mais profundo do meu ser. Antes eu não tinha prazer para mais nada, comecei a sentir sabor na vida novamente”, afirma.

 

Raika tinha 13 anos quando faleceu
Raika tinha 13 anos quando falec

A dona de casa relata que Raika tinha apego a cachorra que salvou. Ela havia levado o animal no colo da casa de sua avó até o rio para que outros cachorros não pudessem agredi-lo. Quando viu o animal sendo jogado no rio, não pensou duas vezes antes de socorrê-lo.

Um dos parentes da família chegou a entrar na água na tentativa de salvá-la e quase se afogou. O pai da jovem também entrou no rio para procurá-la, mas também não conseguiu. O Corpo de Bombeiros permaneceu por dez dias a procura da menina, mas o corpo nunca conseguiu ser retirado pelas dificuldades de acesso. E a cachorra permanece viva.

Maria Cristina relatou que foi um final de semana atípico, pois ela não estava acostumava a ir com a filha para o rio, mas naquela vez decidiu acompanhá-la. “Raika era sempre a primeira a entrar no rio, mas dessa vez ela ficou boa parte do tempo em meu colo. Enquanto isso as outras pessoas já se divertiam na água. Quando eu estava distraída, ela saiu de perto. Antes de morrer, minha filha arregalou os olhos e sorriu, só que ela sorriu com medo.”

Como o corpo não foi localizado, perto do rio, a família criou um túmulo no local. A mãe conta que quem enterrou sua filha foi Deus, e ela usou sua dor para tentar ajudar outras mães que passam pela mesma situação. “Depois que comecei a escrever, eu passei a ter contato com mães que perderam os filhos. Através do livro muitas vidas vão ser edificadas”, finaliza. O livro pode ser adquirido pelo telefone: 99801-3229.

Entrevista

Maria Cristina de Freitas Oliveira, de 45 anos, lançou o livro “Adorando em meio à Tempestade” para contar a história da filha Raika de Freitas Oliveira, que morreu afogada em Minas Gerais após tentar salvar uma cachorra. O livro foi lançado em Vitória em maio 2017 e em Aimorés no último sábado, dia 8 de julho.

O que aconteceu?

No dia 6 de setembro fomos para a casa de minha mãe na zona rural de Aimorés, Minas Gerais. Minha filha levou a cachorra para o Rio Manhuaçu, mas ao ver que nossos parentes jogaram a cachorra na água, ela foi tentar salvá-la.

Como ela estava no dia?
O rio estava tão vazio e tinha muitas pedras. Ela sempre era a primeira a chegar e entrar na água, mas dessa vez ficou boa parte do tempo em meu colo. Os meninos pulavam da pedra e ela não entrava.

O que ela fez?
Ela desceu na correnteza e gritou. Ela nadou até pegar a cachorra, quando eu vi pedi a ela para soltar, ela deu duas braçadas para voltar, mas não conseguiu. Ela foi puxada para outro lugar. A última vez que a vi, ela arregalou os olhos e sorriu, só que ela sorriu com medo e sumiu.

Como o livro está ajudando a superar a dor da perda?
O livro foi a forma de começar a viver novamente, nos dois primeiros meses eu emagreci 15 quilos. Antes eu não tinha prazer para mais nada, comecei a sentir sabor na vida novamente.

O que você deseja?
Depois que comecei a escrever, eu passei a ter contato com mães que perderam os filhos. Através do livro muitas vidas vão ser edificadas. É uma forma de ajudar outras pessoas.

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