A proliferação do uso do crack em Minas pode estar em um estágio mais avançado do que se imagina. Das 853 cidades mineiras, 744 alegam ter problemas com a droga, segundo levantamento publicado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), por meio do portal Observatório do Crack. Nesse universo, 191 prefeituras afirmam que o nível do problema é alto.
Assim como em 2015, Barroso aparece novamente com alerta amarelo, ou seja, nível médio no mapa. Mesma situação que a maioria, 383 municípios de Minas Gerais. Já outras 170 cidades figuram com sinal verde, baixo. Há ainda 88 municípios que não responderam e 21 que não têm problemas com a droga.
O mapeamento levou em consideração os impactos causados pela droga nas áreas de educação, assistência social, saúde e segurança. De acordo com a CNM, o problema é agravado pela inexistência de políticas voltadas para localidades com menos de 200 mil habitantes, que representam a maioria dos municípios brasileiros.
Em contato com o Coordenador do Observatório do Crack, Eduardo Stranz, a reportagem apurou que a atualização dos dados é de responsabilidade do município que faz o preenchimento através das secretarias de saúde ou assistência social. “Como muitas prefeituras estão com novos gestores, que ainda desconhecem a plataforma, não temos os dados atualizados ainda em 2017. Para que estes novos gestores possam abastecer as informações é necessário um contato conosco para repassarmos os caminhos que devem ser seguidos”, diz o coordenador que declarou que a nova gestão pública do município ainda não atualizou os dados.
Em 2015, o assunto foi levantado pelo então vereador de Barroso, Fernando Terra (PP), durante reunião na Câmara Municipal. “O crack é um problema que preocupa todo o Brasil. Preocupa pais, mães, a todos nós. É bastante grave a situação em relação ao consumo do crack, não só no aspecto do tráfico, mas ainda do usuário, que tem destruído a própria família com seu vício”, afirma. Para o vereador à época, o primeiro passo para o combate ao crack é o diálogo entre as várias instituições, encarando o problema de frente. “Eu acredito que a prevenção é o único caminho viável. Isso não significa que não deva existir um trabalho policial na repressão, mas sem a prevenção nós não vamos a lugar nenhum”, finaliza o ex-vereador Fernando Terra.
Porém, desde 2015, muito pouco ou quase nada tem sido feito no município para o combate ao crack, droga que cresce cada vez mais na cidade. Para tentar entender um pouco mais o poder desta droga, a reportagem do Barroso EM DIA conversou com um ex-usuário de crack do município que deu um depoimento comovente.
“Comecei a usar drogas com 18 anos, álcool, maconha, cocaína frequentemente e cheguei ao crack. Gastei todo meu dinheiro, vendi meus bens e depois comecei a roubar para me drogar”, diz o usuário que mantém distância até mesmo de bebida para não correr o risco de retornar à pedra. “Ela parece ser a melhor coisa no momento do uso. Parece que ela te prende. Você só quer usar. É uma sensação de prazer muito grande. A pessoa parece que vai ficando cega. Não quer mais comer e nem se cuidar. Fica vivendo somente para usar e quando se assusta já está em uma viagem que não tem mais volta”, relata o jovem que diz que o prazer é rápido. “São 10 segundos de prazer , o vício e a dependência é muito forte. É uma droga avassaladora. Quando assustei ela já estava me matando e me destruindo”, ressalta ele que quer distância da pedra que já destruiu parte da sua vida. “A melhor coisa é viver em paz , com saúde e com a família. Não usem nunca. É o conselho que dou a qualquer adolescente ou jovem que pensa em experimentar essa droga”, relata o ex-usuário que diz que a família também vai sendo destruída aos poucos.
DADOS BARROSO
Segundo dados da Secretaria de Saúde de Barroso, só nos primeiros seis meses de 2017, foram gastos/investidos cerca de R$ 114.180,00 com internações de dependentes químicos em clínicas especializadas. Pela Saúde, o ano começou com 13 internações que foram mantidas até maio, quando seis dependentes tiveram alta, totalizando sete internações até o momento.
Já no que diz respeito à Secretaria de Assistência Social, os responsáveis pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) não repassaram as informações e nem as ações que são desenvolvidas com os familiares envolvidos para a reportagem do Barroso EM DIA. A Prefeitura Municipal de Barroso também, através da Assessoria de Imprensa, não se manifestou em relação ao abastecimento de dados no Portal Observatório do Crack.
Para quem tem interesse em acompanhar os números no Mapa do Crack, eles estão disponíveis na internet, basta acessar o link: www.crack.cnm.org.br. É possível ver a colocação de cada cidade do Brasil, entre elas, Barroso, que está em alerta amarelo.

DORES DE CAMPOS APARECE COM SINAL VERMELHO NO MAPA
Barbacena, São João del Rei, Tiradentes e Prados também aparecem com o mesmo sinal de alerta que Barroso, ou seja, amarelo. O município de Dores de Campos, que assim como em 2015 chamou atenção negativamente, continua figurando entre os mais problemáticos. A cidade, com cerca de apenas 10 mil habitantes, aparece novamente na pesquisa com Índice de Desenvolvimento Econômico (IDH) 0,686, e está no vermelho, alto índice da droga.
Em 2015, na reportagem do jornal Dores EM DIA, a repórter Raquel Lopes, conversou com um usuário de crack da cidade de Dores, que há sete anos fazia uso da droga. O homem, que não teve sua identidade revelada, entrou no mundo das drogas aos 15 anos de idade e, desde então, não parou mais. No começo era maconha, passando pela cocaína e logo depois remédios controlados. Já o crack surgiu em sua vida após a necessidade de consumo e os efeitos limitados das outras drogas em seu organismo.

