Ainda assustada com a prisão do médico Allex Ruas , indiciado pelos crimes de corrupção e concussão por cobrar por atendimentos e procedimentos médicos que deveriam ser custeados pelo SUS, Lafaiete se surpreende com mais um caso envolvendo a área de saúde.
Nesta terça-feira 13/06 foram presos três suspeitos de envolvimento na prática ilegal de medicina. Um dono de ótica, D.P.D.L (27) seu assessor, E.S.M (33) e um optometrista F.A.S.B (29), todos de Belo Horizonte, após serem surpreendidos por policiais civis no bairro Manoel de Paula.
As diligências tiveram início a partir de denúncias anônimas com informações de que seriam realizadas consultas e exames de visão, por um profissional não habilitado, em um cômodo ao lado da quadra do bairro Manoel de Paula.
A equipe de policiais civis arrecadou cartazes confirmando os supostos atendimentos e, no

local, identificaram pessoas saindo da “consulta” oftalmológica. Elas afirmavam ter sido atendidas por um médico, sendo orientadas que, se optassem por já fazer a compra de óculos não seria cobrada a consulta; caso contrário, não poderiam levar a “receita” e teriam que pagar pelo atendimento.
No mesmo local em que eram realizados os exames, também estava um dono de ótica, da cidade de Belo Horizonte, que já passava o orçamento dos óculos e recebia um valor como sinal de entrada, se comprometendo a entregar o produto em 15 dias. Pelo que foi apurado, o valor dos óculos variava entre R$ 250,00 e R$ 1200,00.
Com a abordagem dos suspeitos, foi constatado que não havia nenhum médico oftalmologista realizando atendimento e sim um técnico optometrista. Ainda assim eram realizados exames de visão com aparelhagem computadorizada, diagnóstico de algumas doenças visuais e determinação dos graus que a pessoa deveria fazer os óculos. O local não possuía nem alvará de funcionamento, nem sanitário e funcionava no intuito de fazer com que as pessoas atendidas adquirissem os óculos vendidos no local.
As receitas apreendidas pelos policiais demonstram que os envolvidos teriam recebido cerca de R$4 mil das pessoas atendidas.
Má fé
O delegado Daniel de Oliveira, responsável pelo caso, afirmou que os três envolvidos criaram todo um cenário para que as pessoas do bairro acreditassem que estavam sendo atendidas por um médico especializado. “Os envolvidos se dirigiam ao técnico como doutor, sendo que o mesmo trajava jaleco branco e emitia receitas para os pacientes. Tudo isso em um ambiente sem autorização de funcionamento e com o dono da ótica em uma mesa ao lado já realizando as vendas. A saúde da população do bairro Manoel de Paula foi utilizada apenas como pretexto para que os autores ganhassem dinheiro, explorando a boa fé dos moradores.”, ressaltou a autoridade policial.
Os três envolvidos foram conduzidos à delegacia, onde foram ouvidos e assinaram termo de comparecimento à Justiça.
O delegado afirma que, além do exercício ilegal da medicina, outros crimes, como o de estelionato, poderão ser atribuídos aos suspeitos no curso do inquérito.
Fato Real
