Compartilhe:

04A população de Barroso já sofre duramente com os impactos da forte crise financeira que atinge a cidade. Há crise por todos os lados; no setor privado, público e até nas instituições. A situação de Barroso vem se agravando desde 2015, quando a LafargeHolcim começou a demitir.

Dessa forma, barrosenses que ficaram desempregados, repensam suas vidas no interior e planejam ir embora. “Fui demitido em 2015 e fiquei aguardando as eleições. Como havia promessa de muitos empregos, estava no aguardo de uma oportunidade, mas agora vi que não vai rolar e pretendo ir embora com a minha família”, declara um cidadão que veio trabalhar na Expansão e pretendia ficar em Barroso. Assim como ele, outros planejam tomar outro rumo, em busca de oportunidades. “Não quero que divulguem meu nome, mas vou dizer uma coisa, aliás, algo que nunca pensei em dizer nestes quase 40 anos de Barroso: Estou planejando ir embora da cidade. Estou com o coração partido. Amo esta cidade, mas não tem mais como ficar aqui. É triste, muito triste dizer isso”, desabafa um leitor que pede que seu nome não seja identificado na matéria.

DEMISSÕES

O cenário caótico atual começou a tomar forma no dia 16 de maio quando o prefeito Reinaldo Fonseca (PSDB) anunciou, em Audiência Pública do balanço dos 120 primeiros dias de Governo, a situação da Prefeitura Municipal de Barroso. Em meio a dívidas e queda brusca de receita, o prefeito disse que aguarda o fechamento do primeiro semestre e “caso a situação não melhore, será preciso demitir também no quadro da Prefeitura”, afirmou. Na mesma reunião e na Audiência Pública da última semana, o prefeito também sinalizou que caso não consiga um acordo com relação à dívida com os precatórios, o município pode ter os recursos sequestrados. Ainda no que se refere às demissões no poder público, a ex-prefeita Eika Oka de Melo (PP) chegou a demitir, nas véspera das eleições, em julho de 2016, cerca de 80 funcionários do executivo.

Na última semana de maio, a situação se agravou ainda mais na cidade e demissões começaram a ser anunciadas. No dia 25, a LafargeHolcim, principal empresa da cidade, comunicou o afastamento de 40 funcionários. Esta foi a segunda grande demissão na empresa em menos de um ano e meio. Em novembro de 2015 a cimenteira já havia afastado outros 40 funcionários. Dos 80 demitidos neste período, mais outros que foram dispensados isoladamente, estima-se que 90% foram barrosenses. Nas duas oportunidades, a empresa justificou que a decisão foi devido à crise econômica nacional.

O ápice da crise em Barroso ficou claro quando houve, no dia 30 de maio, a confirmação da administradora do Hospital, Ana Maria Campos, de que a instituição demitiria entre 15 e 20 funcionários, incluindo médicos no regime CLT. A administração do Hospital justificou que as demissões estão relacionadas ao fim das obras de expansão da LafargeHolcim, terminadas oficialmente há mais de um ano. “O Hospital foi estruturado para receber a expansão da cimenteira local, tendo em vista o aumento do fluxo de pessoas na cidade, mas acontece que a expansão acabou e o Hospital teve bruscas quedas na arrecadação de convênios com Planos de Saúde”, disse a administradora que, sobre os médicos, detalhou que alguns serão desligados do regime CLT (carteira assinada) e os substitutos serão prestadores de serviços, diminuindo assim a despesa com encargos trabalhistas, férias e 13º salário. Portanto, a quantidade de médicos plantonistas não mudará, pois a Prefeitura Municipal paga por esse serviço de maneira contínua.

Fato é que se a expectativa da população girava em torno do objetivo de campanha do atual prefeito Reinaldo, que pretendia colocar mais quatro médicos no Hospital, a realidade, no momento, é outra, aliás, bem mais crua, ou seja, o Hospital, ao invés de contratar, deve demitir médicos nos próximos dias.

FUTURO

Além do poder público, instituições e da cimenteira, outras demissões aconteceram em outras empresas como a LM Transportes que chegou a fechar as portas, ou seja, um momento crítico na cidade de Barroso. “Não tenho muita expectativa. Vou embora e talvez volte um dia”, comenta o cidadão que pediu sigilo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *