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Eu conheço os “Neves”. É pessoal, mas preciso compartilhar!

É pessoal, mas preciso dividir com vocês. É um simples exemplo do que eles são capazes de fazer com relação à politicagem e aos meios de comunicação em nosso país. Acho que é um dia propício para isso!

Aprendi a trabalhar em rádio e tomar gosto pela comunicação na minha cidade natal, Barroso, onde, através de uma rádio pirata, levávamos, eu e grandes amigos profissionais, informação, descontração e utilidade pública às pessoas da pacata comunidade. Foram anos de trabalho sério e bem elaborado. Não me recordo de ver, em um dia sequer, um político naquela emissora. O povo de Barroso conheceu o que era rádio, ali, através daquela “ilegal” emissora que, sem trocadilhos, fazia um trabalho legal.

Por ordem de um sistema, que hoje comprovamos ser parte do crime organizado, o governo, fechou a emissora, lacrou o transmissor e tirou da população os dias de informação e alegria. Tudo isso com o discurso que está cumprindo a lei. Acabou-se assim a Nação dos Jovens, a Nação Jovem, como era chamada a rádio local que de gruja ainda me deu uma esposa mais tarde. Acabaram-se nossos sonhos.

Tudo isso para que, curiosamente, um ano depois, fosse instalada no município uma emissora comunitária, “legal”, que veio na forma de um “presente” para políticos locais, ou seja, dentro dos trâmites e trambiques da politicagem, tal qual acontece nos grandes centros, capitais e cidades vizinhas, que comprovadamente hoje culminou com a prisão de Andreia Neves, braço direito do irmão Presidente do PSBD, que dá ordens para matar quem quiser falar e “tapou” a boca de muitos jornalistas.

Fui embora. Alguns amigos ficaram. Outros, os que deveriam, responderam por “crimes”. Segui carreira, passei por emissoras profissionais, estudei, me formei. Fiquei por 10 anos em Belo Horizonte. Fiz amigos no jornalismo, nas rádios por onde passei e… fui vítima do sistema…

Foi me oferecido o cargo de editor-chefe em São João del Rei e lá estava eu, perto de casa novamente e ainda inocente. Voltei! E… fui vítima do sistema, sistematicamente. Na sede do jornal dos políticos na cidade histórica, fui barrado na porta, porque aqui em Barroso nascia o meu jornal Barroso EM DIA, independente e apartidário. Era meu, de nenhum político, mas de alguma forma desagradou um graúdo da nossa cidade que consequentemente “pediu minha cabeça” no jornal de São João. Fui proibido de entrar para trabalhar no jornal apenas três meses depois de ter voltado para o interior. Sem chão, tive medo, fui vítima, na pele. Fiquei calado, porque ainda não tinha voz.

Trabalhei ao invés de lamentar. Criei pilares, reforcei a base e junto com o povo da minha cidade e a confiança dos anunciantes, chegamos a uma década de jornal que incomoda, porque fala o que muitos não querem ouvir. Seja de que lado for, muitos se sentem incomodados!

Consequentemente e propositalmente sumi da rádio comunitária da minha cidade. Fui “preso”, perdi a Liberdade. Cheguei até a ter voz e gritar gols naquela emissora, mas alguns se incomodaram novamente e minha voz e a de outros amigos, que por lá passaram, mais uma vez foram caladas. Isso é fato! Ou entra no time ou não fala aqui. Essa é a linha editorial em São João onde detém rádios, jornal e televisão. Isso é fato, não é conspiração. Eu provo!

Não é à toa que políticos são escolhidos a dedo para falar na emissora daqui. Não é à toa que a gente não fala mais aqui. Não é à toa que muitos amigos foram demitidos porque não podiam falar de A ou B. O sistema que vocês veem na TV, de calar é o mesmo daqui. A rádio de Barroso, que presta sim serviço de utilidade pública, que leva sim alguns cantores, que tem sim bons profissionais, é, infelizmente, infelizmente, comandada por um grupo político que sempre usou deste poder para chegar ao poder.

Eu não sou trouxa, besta ou algo parecido. Eu estudei, com ajuda do governo, de amigos e familiares e hoje aprendi a falar e falo porque tenho como provar. Não sou contra a emissora e seus funcionários, sou contra o sistema que cala estes profissionais e não deixa você ouvinte saber a outra metade desta laranja podre.

É sim, muito pessoal, mas é preciso compartilhar para que vocês possam entender que o que acontece lá, em Barbacena e em São João del Rei, e em vários outros lugares onde os políticos comandam os meios de comunicação acontece aqui, debaixo do nosso nariz.

E isso é péssimo para a comunicação.

Demorei muito para publicar, mas faço em nome de todos aqueles, que de alguma forma ou de outra, passaram pelo que passei.

Dedico a vocês.

Post scriptum: Que fique bem claro, nada contra essas pessoas e trabalhadores, que ganham honestamente seus salários nas rádios, trabalhando. Muitos são meus amigos, mas também são vítimas do sistema. Tenho maior respeito pelos profissionais que daqui ou de BH, trabalham, ganham o pão justamente, mas eles precisam concordar, que também são vítimas do sistema que manda calar e manda…

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