0707Talvez muitos aqui não se lembrarão do seu rosto, da sua fisionomia, do seu sorriso contido de simplicidade, mas, com certeza, jamais esquecerão sua voz! Alguns, na verdade muitos, irão até temer sua voz! Pois era justamente essa voz que anunciava, em meados dos anos 90, mais precisamente pelos alto falantes da Matriz de Sant´Ana, os falecimentos da cidade.
Icônico! Era só a temida “musiquinha” adentrar nossos ouvidos para que aquela voz empossada e repleta de graves, agudos e seriedade invadisse nossas casas, bares e praças com a frase eloquente: “Aviso de Falecimento”, dizia ele precedido de um silêncio mais comum do que o natural do interior de Minas ou de qualquer outro estado deste Brasil hoje barulhento. Por muitas e muitas vezes, com autorização, e só com a autorização de Petronília, o menino franzino da voz bonita abandonava a escola para usar os microfones da Igreja. Era só ver Miro ou Zé Luiz na porta da escola que todos já questionavam: Quem morreu?
De quem estamos falando?
Luciano Batista Rodrigues, filho de Vicente e Imaculada, irmão de Lidiane. Como não se lembrar daquela família guerreira e trabalhadora que por muitos anos morou na Rua João Santiago, perto do Brejinho, onde enfrentaram, assim como muitos moradores, inúmeras enchentes? Como não lembrar daquele aluno aplicado e educado, que estudou no Sant’Ana e no FAPI, onde concluiu o terceiro ano? Como esquecer o lateral que o Tio Grilo insistia, mesmo ele sendo destro, que devia atuar pela esquerda no time do Barrosinho? Enfim, como apagar da memória aquele menino ligado às atividades religiosas, seja na Cruzada Eucarística com a Dona Lurdinha ou como coroinha na Matriz de Sant’Ana? Como?

Com a morte repentina do pai em 1994 e com a ida de Geraldo Magela para o seminário, Padre Fábio não teve dúvidas e o convidou para ser sacristão aos 13 para 14 anos. Daí a primeira de muitas responsabilidades que a vida iria lhe oferecer. Cinco anos depois, o até logo! Apesar do “porto seguro” que era a Barroso, um outro Porto, mais feliz talvez, lhe aguardava. E foi assim, rumo a Porto Feliz, no interior de São Paulo, que Luciano nos deixou, mas também deixou amigos e viveu grandes momentos, nos quais conheceu muitas pessoas pelas quais tem um carinho enorme, pois elas fizeram parte da sua formação como homem e cidadão. “Meus olhos marejam só de lembrar”, diz Luciano que confessa, como confessam os fiéis, que foi justamente na Igreja que pegou gosto pela comunicação e o desejo de se comunicar.
Dos microfones da Igreja para as rádios de Porto Feliz foi um pulo. Pronto! São Paulo tinha
naquele momento mais um comunicador de peso, apesar dos poucos quilos. Cobriu o time do Ituano, o auge do São Paulo Tricampeão Brasileiro em 2006, 2007 e 2008 e viu com esses olhos que a terra há de comer, Ronaldo Fenômeno receber um lançamento de Cristian pelo Corinthians, deixar o zagueiro Rodrigo na saudade e bater na saída do goleiro Bosco do São Paulo. “Eu estava no Morumbi em 2009, atrás daquele gol”, se orgulha o menino que antes anunciava falecimentos e mais tarde gritaria gols.
Fez curso de radialista, faculdade de Jornalismo e terminou o curso de Tecnólogo de Marketing. Este é Luciano, seja da Igreja ou do esporte, este é o menino simples, coerente, correto, prudente e apaixonado pela vida e pelo futebol. O menino homem que hoje trabalha como consultor em uma empresa de informática e faz freelancer para emissoras de rádio e TV da região.
Está casado com Ana Paula há 9 anos e é pai de Joaquim há 7.
Por Onde Anda?
Bom, como diria um bom narrador:
“Pelas quebradas da direita”!
E quando pode, vem a Barroso, como em dezembro de 2010, na ordenação sacerdotal do amigo Padre Rondineli. Some não Luciano.Estamos com saudade do seu sorriso, do seu carisma e da sua felicidade, hoje capital de Porto Feliz!

