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Ares de guerra, sinais de mísseis e pedidos de socorro ecoam pelo mundo no início da década de 40. Bem longe da Polônia invadida e da supremacia Russa, vem ao mundo, pelas mãos da parteira Honória, aos gritos de paz e serenidade que lhe acompanharia por toda a vida, Eli Reis, o filho caçula de Brasilino Reis Melo e Maria José de Melo. Quis o destino que o dezembro daquele 44 se iniciasse de braços abertos por Eli, que ali, na Coronel Arthur Napoleão, ainda sem asfalto, desceu e desfrutou da infância nos carrinhos de rolimã que dividia com os eternos amigos Zé Geraldo e Benedito de Melo. E quando os carrinhos se transformaram em verdadeiros carrões e as rolimãs foram substituídas por rodas e rabos de peixe, o adolescente, que se aventurava entre Prados e Dores de Campos nos finais de semana, também teve que assumir grandes responsabilidades com a morte do pai, que havia constituído empresas no ramo de cal, calcário e transportes. Ao lado dos irmãos, gerou empregos e fortaleceu a Barroso que se iniciava e ganhava luzes porque seu pai, senhor Brasilino, havia investido na tecnologia da época.

Eli, ao lado mãe e dos filhos Andreliano e Alessandro
Eli, ao lado mãe e dos filhos Andreliano e Alessandro

Aliás, era comum apreciar uma nova tecnologia despontando da Coronel. Foi ali, na única residência de dois andares daquele tempo, que as vozes da Rádio Nacional reuniam a família para mais um capítulo de Balança Mais Não Cai. Não demorou e a televisão, por sinal o segundo aparelho da cidade, não só reuniu a família, mas amigos e moradores de toda a Barroso para a Copa de 1962, quando o Brasil ficou com o bi-campeonato no Chile. Mas o menino que ouvia rádio e assistia TV também estudou e fez parte da primeira turma do Colégio São José, onde se consagrou ao levantar o diploma junto com os amigos José Bernardo Meneghin e José Orlando. Aos olhos de Dona Lurdinha, Iracema Rocha e Paulo Terra, a turma, que até hoje se encontra para comemorar a conquista, fez história na cidade. E essa vocação para reunião, atrelada a um discurso sólido e sereno, fez de Eli, que também foi professor de história, um líder na política barrosense. Ao lado de Artidônio Napoleão de Souza e Geraldo Acácio, fundou o Movimento Democrático Brasileiro e chegou ao status de vereador de Barroso no primeiro governo do prefeito Baldonedo Napoleão. Já as brilhantinas da década de 70 conquistaram a menina Elza, que mais tarde se tornou senhora e conquistou Eli, lhe dando três eternos presentes. O jovem irmão de José, Darcy, Irene, Plínio, Amilcar, Geraldo e Maria, entrou então de vez no mundo da tecnologia e fundou no começo da década de 90 a Unicol Eletro, loja de eletrodomésticos que funciona até hoje no coração da cidade.

Este é Eli Reis, um homem que coleciona momentos e histórias e tem um dos mais ricos arquivos fotográficos de Barroso. Um homem à frente do seu tempo e que nunca, nunca, em momento algum, abandonou o seu jeito sereno e tranquilo de ser e viver.

Eli, ao lado amigo Zezinho e seus possantes da época
Eli, ao lado amigo Zezinho e seus possantes da época

 

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