Com o objetivo de retificação do leito do córrego e canalização, o canal, do bairro Santa Maria, começou a ser construído na década de 80, pelo então Prefeito da cidade Baldonedo Arthur Napoleão. Desde sua criação, em 1988, o tal canal, tem sido alvo de muitas críticas, seja nas esquinas e bares ou até mesmo na internet. E o grande motivo: a falta de proteção no seus arredores e cobertura. Só nos últimos anos, três carros e quatro cidadãos caíram dentro dele, de uma altura aproximadamente de três metros.
Diante da situação e de desencontros de informações, a reportagem ouviu as partes ligadas à obra com o intuito de esclarecer a população sobre o que de fato aconteceu e pode acontecer com o curso de água, que cerca de 20 anos depois, continua aberto, colocando crianças e condutores em risco. “Imagino que o projeto inicial contemplava a cobertura do canal, mas não tenho informações da razão pela qual a obra não foi concluída. Outro fato é que desde o início da construção, o município passou a arcar com o pagamento mensal da obra, do chamado Projeto CURA. Inclusive, essa dívida se estendeu por vários anos, comprometendo as administrações posteriores de realizar outras obras na cidade”, comenta o Secretário de Obras Leone Wagner que foi questionado sobre a falta de segurança no local. “O fato de pessoas caírem acontece lá como acontece nas margens de qualquer curso d’água. As pessoas devem ter mais atenção ao transitar naquela área. No entanto, a administração está buscando recursos para resolver de uma vez por todas o problema”, diz. De acordo com Leone, a Prefeita Oka de Melo (PP) está em busca de verba para conclusão da obra, incluindo a ligação com o Bairro Nova Barroso, no final da Avenida, com a construção de uma ponte e o restante da Avenida Carlos Alberto Moura Pereira da Silva. “O objetivo visa também embelezar a região com um projeto paisagístico e a possível inclusão da obra no Plano Plurianual (PPA), através de recursos do Município, Estado e União”, declara.
O fato é que existia também no local uma cerca provisória, em torno do curso d´água. Sobre essa questão, o Secretário acredita que não compensa ter a proteção porque, em caso de queda de veículos, a mesma não teria resistência para evitar o acidente. “Por ser um local onde acontecem vários eventos, o material utilizado em uma cerca provisória poderia ser usado como arma em uma eventual briga”, diz.
Já o Prefeito da época, Baldonedo Arthur Napoleão, declarou que quando assumiu a Prefeitura, em 1983, encontrou um pedido de financiamento, feito pela administração anterior (na época, José Bernardo Meneghin) ao Governo Federal (Projeto Cura) para a canalização do córrego da Boa Vista, que captava o esgoto sanitário dos bairros Josefina Coelho de Souza, Represa, Nova Barroso, Arthur Napoleão e Santa Maria. “Passei quase todo o mandato lutando pela liberação do recurso para a obra de alta importância para esta região. O recurso só foi liberado no último ano de meu mandato, em 1988, quando fizemos a grande obra. Fui advertido no sentido de que o canal que constava do projeto original era muito estreito para o volume de água quando o córrego sofresse enchentes. Por isto, contratei um estudo que calculou a vazão da água da bacia do córrego naquela região, prevendo as enchentes. Com base neste estudo, o Engenheiro Gutgemberg, da Prefeitura, reformulou o projeto original do canal, ampliando suas dimensões, conforme o que se vê hoje. Foi uma medida acertada, pois as enchentes que ocorreram nesses anos todos nunca ultrapassaram os limites do canal, exceto quando ele encontra o canal coberto da Praça do Forni-nho, que já existia há anos e que tem dimensão menor do que o canal que construímos”, explica. De acordo com Baldonedo, o projeto do canal previa sim a colocação de guarda-corpo em toda sua extensão, tanto que se pode ver, hoje, no topo das paredes do Canal as “esperas” para a implantação das colunas que receberiam os tubos. “O guarda-corpo do canal era a última parte da obra e só não foi implantado porque nossa administração terminou em dezembro daquele ano. O projeto contemplava a implantação do guarda-corpo, ou seja, o financiamento contemplava também esta proteção. O Projeto Cura era Federal, e, geralmente, beneficiava grandes cidades brasileiras. Barroso deve ter sido a única cidade pequena beneficiada com o Projeto, cujos recursos eram financiados para pagamento em 15 ou 20 anos”, diz. Segundo ele, os recursos do Projeto Cura também beneficiaram a cidade com pavimentação com briquetes de cimento e areia de todas as ruas dos Bairros da Praia, Cohab, Josefina Coelho, Alonso e quase todo o Bandeirantes.


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