Com os ventos característicos do inverno e as férias escolares, julho é o mês ideal para soltar pipa. Mas essa brincadeira aparentemente inocente pode acabar em tragédia com o uso do cerol, uma mistura de cola com vidro moído colocado nas linhas.
Uma leitora do Barroso EM DIA enviou uma foto do capacete da irmã, que foi atingido por uma linha de pipa com cerol no bairro do Guimarães, no começo da tarde de domingo (19). “Minha irmã teve o nariz cortado, levou ponto e por sorte não acertou o pescoço. O capacete cortou de um lado para o outro. Fizemos Boletim de Ocorrência, mas ninguém conta quem era a criança e vai ficar por isso mesmo. Estou com medo que algo pior venha acontecer. Hoje em dia não é só uma inocente brincadeira. Adultos, pais, crianças disputam quem cortam mais pipa, usando cerol e linha chilena”, afirma.
A leitora conta que a irmã deu entrada no hospital por volta de 14h e que poderia ter sido pior. “O corte no capacete foi profundo, imagina num pescoço. A médica disse que ela teve sorte, porque pegou primeiro no capacete e ela conseguiu parar e segurar a linha”, conta a leitora, que pede que o caso sirva de alerta e que algo seja feito para impedir que o pior aconteça. “Não podemos nem andar na rua, as linhas passam como navalha perto da gente. Os pais não estão cientes do que pode acontecer com os próprios filhos que soltam pipa. Pior que a maioria é adulto, certos pais até incentivam. Me preocupo pela minha família”, finaliza.
Em contato com a Polícia Militar, foi constatado que foi feito um Boletim de Ocorrência por lesão corporal, mas como a vítima não soube precisar quem estava soltando pipa, ninguém foi detido.
Em Minas Gerais, o uso do cerol é proibido pela Lei estadual 14349/02, com multa mínima no valor de R$100 e máxima no valor de R$1.500.
OUTRO CASO
No mesmo dia do acidente divulgado acima, um leitor informou a reportagem do Barroso EM DIA que deu entrada no Hospital uma criança de 3 anos que também teve a mão cortada por cerol. “A pipa caiu na horta e a menina inocentemente foi pegar a linha e cortou a mãozinha com cerol”, disse via telefone o leitor do Barroso EM DIA.
Ele também acrescentou que o que era para ser um prazer entre pais e filhos se tornou um risco. “Não podemos nem ir ao Ceclans soltar pipa com nossos filhos. Colocamos no ar e eles cortam”, diz.
Em contato com o diretor do Ceclans, Zezé, ele informou que o Clube proíbe o uso de cerol nas suas dependências, mas os jovens, não só as crianças, não obedecem e continuam fazendo o uso da linha cortante nas dependências. “Chamamos a Polícia Militar com o intuito de coibir este tipo de brincadeira aqui dentro. De qualquer forma deixo claro que aqui dentro é proibido o uso de cerol”, diz o diretor.


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