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Li, estarrecido, a matéria da edição 133 do Barroso EM DIA, assinada pelo excelente repórter Bruno Ferreira. Explico a razão do meu estarrecimento. De acordo com a reportagem, o inquérito da Polícia Civil referente ao incêndio ocorrido no Bairro Jardim Europa, relata: “Houve negligência por parte da maior de idade Amanda, mãe de duas das cinco crianças que morreram na casa”. E mais à frente a reportagem afirma que o delegado “chegou a declarar que na época não havia uma explicação clara das causas e consequências do incêndio”. Pode ser que na época a explicação pudesse não ser clara, e esta falta de clareza era a razão para se fazer o inquérito policial. Mesmo sem “explicação clara”, o inquérito, segundo reportagem, relata que “uma brincadeira com fósforo, que começou na sala, teria sido motivo do incêndio”. “TERIA SIDO” é uma conjectura. Realmente a explicação técnica para o início do incêndio ainda continua nebulosa, mas não as consequências, uma vez que nele e por causa da negligência de uma pessoa de maior idade e, provavelmente, da irresponsabilidade de três adolescentes que lá se encontravam (e que escaparam), cinco crianças perderam a vida.

E agora, um ano depois, já existe uma explicação clara da(s) causas e das consequências do incêndio? De acordo com o inquérito, “os três adolescentes, sendo uma garota e dois garotos de idades não informadas, não foram indiciados”. Se a idade deles não foi informada, como se pode ter certeza de que nenhum dos três ainda não tinha completado 18 anos? Eram moradores da casa? E o que estavam fazendo, que os impediu de socorrerem as crianças que morreram? Quem garante que não foram eles os autores de “uma brincadeira com fósforo que começou na sala” e “teria sido o motivo do incêndio”. Tais adolescentes, se de fato eram menores de idade, embora inimputáveis pela impunidade que lhes confere a lei, foram identificados e as autoridades competentes tomaram conhecimento de suas identidades e idades? De todo o contexto, até agora conhecido pelos barrosenses, da dolorosa “MAIOR TRAGÉDIA DE BARROSO”, na qual morreram as crianças David, Gustavo, Beatriz, Katlen e Rafaela, a conclusão que tiro é que, ainda hoje, conforme diz o ditado popular, “no Brasil só ladrão de galinha fica preso”, assim mesmo de tiver mais de 18 anos. Conforme informa na matéria, “às vésperas de completar um ano, a reportagem entrou em contato com o MP a fim de trazer uma posição das autoridades para a sociedade barrosense… A reportagem não conseguiu falar com o mais novo Promotor de Justiça… Ou seja: no Brasil criminoso com menos de 18 anos goza de impunidade, e os figurões dos poderes executivo, legislativo e judiciário, se cometerem malfeitos, gozam de imunidade e têm foro privilegiado. E a sobrecarga de processos nos tribunais faz com a justiça demore…até a prescrição da maioria dos crimes.

 

Por Paulo Terra

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