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A cidade de Dores de Campos possui sua identidade formada principalmente pelo tropeirismo com singularidade em relação a atividade na 1ª metade do século XVIII. Primeiro, pelo fato de não ter sido feito o uso da Estrada Real e a ainda devido à comercialização de diferentes produtos oferecidos. Tal fato chamou a atenção do cineasta Raymundo Evangelista e do roteirista e artista plástico Luiz Antônio Rodrigues, o Chiquitão. Os profissionais da sétima arte, desde 2014, juntamente com o diretor de patrimônio e  historiador Helbert José Aliani Silva, estão se organizando para a produção de um filme. No dia 24 de abril, para dar continuidade ao projeto, voltaram à cidade para mostrar seu currículo à população dorense e para falar sobre uma das três fases pelas quais o filme passará: pré-produção, produção e lançamento. O evento  ocorreu na sede social do Dorense Clube.

Ray Evans, como é conhecido,  falou sobre a gravação do  filme intitulado “O Tropeiro e o Burro de Guizo”, que retrata a história dos tropeiros dorenses  na década de 1950, através do drama da  família do tropeiro Durval Virgolino. “O filme pretende mesclar a realidade e a ficção se baseando na trilha dos heróis americanos. A escolha do tema veio de uma reportagem que eu vi na televisão sobre o tropeirismo na cidade de Dores de Campos, considerada o berço da atividade”, comenta Ray Evans.

O projeto está em  fase de pré-produção. Neste momento, o foco é a implantação das oficinas de cinema e teatro, captação de verbas para determinar o tama-   nho e a qualidade do roteiro. Nesta fase, muitos dorenses poderão ter a chance de serem selecionados para participarem do longa metragem, através da oficina de teatro.

Ainda não há previsão para o início da oficina que selecionará, a princípio,  os papéis de coadjuvantes e figurantes. No entanto, o cineasta comenta que se houver alguém com destaque especial, esta pessoa poderá fazer um dos papéis de maior relevância. “Nestas oficinas sempre saem pessoas que resolvem trilhar a carreira artística, sendo  motivadas a fazer cinema ou teatro”, comenta o cineasta que afirma não haver um número específico de participantes para a oficina.

 

CURSO DE TEATRO

O curso será ministrado pelo professor de cinema e teatro da Universidade Anhanguera Rômulo Marinho. “Na oficina as pessoas aprendem a ser mais desinibidas e engraçadas. Aprendem a trabalhar a improvisação, a se expressar corporalmente, entre outras coisas”, comenta o cineasta que prevê que as aulas te-nham cerca de duas horas de duração cada.

Em relação aos recursos para a produção do longa, Ray conta que  o  filme, por  ser uma produção independente,  entra com parte da verba e o restante fica a cargo de uma comissão, proposta por Helbert José Aliani Filho, que irá gerir a contrapartida da verba do filme. Dependendo do valor disposto, será determinado o tamanho do filme.

 

TROPEIRISMO DORENSE

O tropeirismo dorense  foi originado em virtude das selarias criadas ainda na primeira metade do séc XIX, por volta de 1830 e 1840, e se manteve até o início dos anos de 1980 com sua decadência e extinção com as construções de várias estradas de rodagem.

Nesta época, diversos dorenses fizeram desta atividade uma profissão com o desafio de sair pelos caminhos, trilhas e rotas do Estado de Minas Gerais e estados circunvizinhos no lombo de burros ou de mulas.

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