Uma das manchetes da edição 132 do Barroso EM DIA “A História no Chão” comenta a demolição da chaminé da octogenária Cerâmica N. S. Aparecida, uma empresa que começou a operar em outubro de 1929 e durante décadas produziu telhas e tijolos de vários tipos. Ao longo dos anos teve sua razão social alterada algumas vezes. Por muitas décadas do século XX, em Barroso, a indústria de cal, representada por dezenas de fornos de barranco de várias empresas, e as de cerâmica de Silvano Albertoni e de Severino Rodrigues, foram as grandes empregadoras de mão de obra na região. E, diga-se de passagem, a cal, as telhas e tijolos de barro dessas indústrias, exportados para várias regiões de Minas e de outros estados, eram famosos por sua excelente qualidade. A partir da metade da década de 1950 a maior empregadora de mão de obra na região passou a ser a então Companhia de Cimento Portland Barroso que, na década de 1970, chegou a ser a maior unidade produtora de cimento de Minas e a segunda maior do Brasil. Hoje já não temos caieiras nem cerâmicas, porque as empresas eram geralmente familiares, mesmo quando tinham apenas ao seu nome a sigla S/A. À medida que seus fundadores foram morrendo, e elas não evoluíram em tecnologia e em inovação dos seus produtos, ao mesmo tempo que os seus sucessores não conseguiram ou não quiseram se manter unidos, as empresas foram perdendo competitividade e se extinguindo. O mesmo aconteceu com o grupo cimenteiro de Severino Pereira da Silva, proprietário de jazidas de calcário e gesso e de várias fábricas de cimento. Com a morte do seu fundador em 1986, o grupo familiar se enfraqueceu, e hoje, em vez dele, temos a Holcim, grupo internacional suíço. É possível que muitos barrosenses jovens (e também nem tão jovens) não saibam a simbologia do brasão do município, instituído pela lei 487, de 6 de setembro de 1971, no primeiro mandato do prefeito Baldonedo Artur Napoleão. Nesse brasão há três chaminés de tamanhos e cores diferentes: a menor, de cor branca, simboliza a indústria de cal, a mais antiga; a média, marrom, representa a indústria cerâmica; a maior, cinza, é símbolo da indústria cimenteira, as três grandes geradoras de empregos diretos e indiretos e de receita para Barroso. Os fornos de cal e as chaminés dos três primeiros fornos da fábrica Barroso já não existem, a não ser na História e na lembrança, e em março deste ano caiu a última chaminé da indústria cerâmica. Não será surpresa para mim se, de repente, também não for ao chão a nossa histórica ex-estação ferroviária, que a custo ainda se mantém em pé. Monumentos foram demolidos. Mas ninguém vai conseguir demolir a nossa História. Ela permanece nos documentos escritos, nas páginas de jornais e em livros, na nossa memória e nas nossas tradições.
Por Paulo Terra

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