Compartilhe:

Entre os debates dos candidatos às eleições presidenciais disputadas em 2014, uma reposta, de Eduardo Jorge (PV), sobre os atuais programas sociais existentes no Brasil, chamou a atenção dos telespectadores. “Na minha visão, o melhor programa social é aquele que você não fica dependente dele, ou seja, você usufrui e, quando não precisa mais, entrega o Programa que pode servir para outro cidadão”, disse Eduardo em um dos calorosos debates. Talvez a resposta tenha passado batida entre os críticos, talvez ainda o Bolsa Família não seja de fato um programa exemplar em toda sua forma e conteúdo, mas, mesmo sem ouvir o candidato, uma senhora barrosense tomou a iniciativa de procurar o Bolsa Família da cidade e devolver o benefício do Governo Federal, isso mesmo, devolver.

_MG_6001A atitude de Lúcia Maria da Silva Melo, 49, artesã, moradora do bairro Jardim Europa, chamou tanto a atenção dos responsáveis que a Gestora do Programa, Alcione Aparecida de Oliveira Silva, que trabalha há cinco anos com o Bolsa Família, teve que questionar a ex-beneficiária. “Não estou entendo muito bem. A senhora veio devolver o benefício do Bolsa Família? É isso?”, questionou Alcione quando no mês passado Lúcia procurou a Secretaria de Assistência Social para entregar o auxílio. “Na hora fiquei olhando para ela e tentando entender. Depois ela me explicou que seu filho já estava empregado, que hoje tinha um salário bom e não precisava mais do Bolsa Família”, diz a Gestora que, ao longo dos trabalhos à frente da Assistência, nunca presenciou a devolução de um benefício. Ainda de acordo com levantamentos internos, esta foi a primeira vez na história do Bolsa Família em Barroso, ou seja, desde 2002, que um beneficiário devolve o apoio financeiro do Governo. “Eu trabalho fazendo tapetes, colchas de lã e outros produtos artesanais, quase tudo com material reciclável e consigo uma arrecadação condizente. Meu filho, de 19 anos, que fez o curso do Pronatec, hoje está empregado, ganha bem e felizmente não precisamos mais do benefício”, declara Lúcia que acrescentou que jamais usaria o dinheiro para arrumar o cabelo ou coisas do gênero. “Não posso fazer isso. O di-nheiro é para ser empregado nas nossas necessidades básicas. Se hoje temos condições, agradeço ao apoio do Governo e devolvo para que outra pessoa possa fazer o uso do dinheiro”, declara a moradora do Jardim Europa que recebeu R$210 por 13 anos de Bolsa Família. O filho de 19 anos, citado por Lúcia, fez o curso por estar inscrito no Cadastro Único e se formou em Técnico Eletricista, área em que atua hoje.

_MG_6006Segundo Alcione, Lúcia assinou uma espécie de retorno garantido que o Governo disponibiliza para atitudes como esta. “Durante três anos, se a Lúcia precisar regressar ao Programa por algum motivo, o Governo garante o retorno automático do benefício. Mas, se Deus quiser, ela não vai precisar mais deste dinheiro”, declara Alcione que costuma dizer aos beneficiários que o Bolsa Família deve ser uma ajuda momentânea aos cidadãos e não permanente.

Quem também ficou surpreso e elogiou a atitude inédita da senhora Lúcia, foi o Secretário de Assistência Social, Anderson de Paula. “Acredito que a atitude dela é um belo exemplo de cidadania. O cidadão recebe do Estado a ajuda necessária, em momento de vulnerabilidade, e depois de superada a situação o cidadão possibilita ao Estado ajudar outro cidadão necessitado”, declara o Secretário. Ainda segundo Anderson, se tivéssemos mais ações iguais a esta, certamente teríamos um modo melhor de viver. “Gostaria de publicamente deixar o meu agradecimento e parabéns à senhora Lúcia Maria. Deus vai lhe abençoar por tal gesto. Felicidade para ela e toda a sua família”, declara.

EM BARROSO

Hoje existem 4 mil e 307 famílias inscritas no Cadastro Único em Barroso. Com a desistência de Lúcia, no mês passado, mil e 499 famílias foram beneficiadas pelo Programa Bolsa Família em fevereiro. Um montante que representa uma cobertura de 99,7 % da estimativa de famílias pobres no município. “É claro que o objetivo maior é diminuir o número dessa famílias, pois, fazendo isso, estaremos tirando uma família da condição de pobreza e lhe ofertando uma oportunidade de se manter economicamente, melhorando a condição de vida de seus integrantes como foi o caso da senhora Lúcia e do seu fi-lho que se formou pelo Pronatec”, diz Anderson sobre os números atuais de beneficiários em Barroso. Essas famílias recebem benefícios com valor médio de R$ 162 e o valor total transferido pelo governo federal em benefícios às famílias atendidas alcançou R$ 242 mil e 880 no mês. Em relação às condicionalidades, o acompanhamento da frequência escolar, com base no bimestre de novembro de 2014, atingiu o percentual de 100,0% para crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos o que equivale a 1.301 alunos acompanhados em relação ao público no perfil equivalente a 1.301. Para os jovens entre 16 e 17 anos, o percentual atingido foi de 97,0%, resultando em 322 jovens acompanhados de um total de 332. Já o acompanhamento da saúde das famílias, na vigência de dezembro de 2014, atingiu 95,9 %, percentual que equivale a 1.466 famílias de um total de 1.529 que compunham o público no perfil para acompanhamento da área de saúde do município. Confira o quadro abaixo com o benefício por bairro.

EDIÇÃO - 131 MARÇO - FINAL .indd

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.