Existem batalhas e batalhas, das mais árduas, das mais diversas, das mais doloridas. Mas também existem soldados e soldados, dos mais competentes, dos mais combatentes, dos mais guerreiros. E quando Zélia e Hilton não optaram, mas foram obrigados a entrar nesta luta, trataram logo de convocar um “Exército” feito de esperança e fé. Eis a realidade: a luta contra um câncer que já dura cerca de dois anos. Eis os soldados: suas famílias, seus amigos e seu Deus, cada vez mais forte.
E que seja feita a sua vontade!
É quase com esse espírito que A Cara de Barroso, deste mês de dezembro, enfrenta todos os dias a precoce vida que tem. Thamyres Eduarda da Costa, de três anos, entrou nesta batalha da vida, em 19 de julho de 2011, e, desde então, vem vencendo obstáculo por obstáculo. A pequena moradora do Bedeschi, que conquista corações grandões, foi diagnosticada com um tumor raro nos rins há quase um ano e se divide, mesmo sem saber o que isso é, entre sessões de quimio e radioterapia em Juiz de Fora – uma luta pelos asfaltos da vida. Entre os cerca de 100 km, entre as viagens dolorosas, mãe, filha e a fé de uma família inteira passam dias enfrentando e lutando contra uma doença que até o momento está estagnada, apesar de ela ter perdido um rim e estar com o outro comprometido. A Fundação Ricardo Moysés Júnior tem sido o porto seguro dessa luta quase que diária pela sobrevivência e, acreditem, mesmo diante das adversidades, a pequena Thamyres, guerreira até no olhar, segue vencendo e já esbanja as mechas recém chegadas.
E não vence sozinha, como ninguém vence nesse mundo. Thamyres tem na sua linha de frente de ataque suas irmãs Thaís e Thayná, de 15 e 19 anos, familiares e o movimento Pós-Emaús de Barroso. Juntos, eles agregam forças, se armam de sorrisos, de bombons e de Deus, e, quando percebem a presença da Pequena na cidade, despejam suas forças e “armas” na Rua Pedro de Paula Campos, no Bedeschi, onde um sorriso sempre os espera.
Na casa simples e acolhedora, enquanto a mãe batalha para deixar os móveis no lugar, o pai desfila orgulhoso pelos corredores e faz planos para ampliar o imóvel e dar mais comodidade às filhas que o ajudam na luta diária, vendendo pipocas e conquistando forças para enfrentarem o dia a dia. Uma família tradicional brasileira, cheia de sonhos, de ideais, de metas, assim como a minha e a sua família, se não fosse pela Pequena Thamyres que, sem saber, faz todo este exército aqui fora se mover diariamente. Tudo pelo simples sonho de que ela possa continuar andando, sorrindo e brincando de perder narizes e bocas que ficam escondidos entre os dedos dos amigos visitantes.
Atrás de toda aquela inocência, daquele olhar grande, a Pequena carrega um arsenal munido de vontade de viver, mesmo que sem tombos, mas cheio de vontade de viver, só isso.
O SONHO É SIMPLES: SOBREVIVER!
Portanto, não entenda como mais uma batalha, não se trata de apenas mais uma guerra, ou da própria guerra em si, que mata, que tira, que leva. Tem a ver com a vida, com a vontade de vencer, com o simples e desejado sonho de apenas ficar vivo. Thamyres ainda não sabe, mas a Cara é pouco, ela é a cidade dos pés à cabeça, do princípio ao fim. Hoje ela vai ler apenas as fotos neste jornal, vai ver que seus amigos estiveram com ela, que brincaram e levaram bombons, mas “amanhã” bem cedo, ela vai juntar essas letras e vai entender que estes amigos, seus pais, suas irmãs e o Pós-Emaús não apenas estiveram com ela, eles foram convocados para lutarem ao seu lado.


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