Onilda das Dores Ribeiro, a popular Nuna, do bairro do Alonso, é mais uma mãe desesperada que procura a reportagem do jornal com o intuito de solucionar ou amenizar a dor que sente pela morte trágica do filho. Nuna, era mãe do jovem Claudemir Kelvin Valério, de 21 anos, que foi morto no bairro do Alonso, na Avenida Brasil. De acordo com a mãe, os quatro amigos se reuniram para fazer um frango com quiabo e a confusão começou quando o autor do crime teria dito que Kelvin havia pisado no pé do dono da casa. Segundo informações da Polícia Militar na época, na tarde do sábado, 9 de novembro de 2013, Kelvinho, como era conhecido, levou duas facadas, uma no braço e outra no tórax, e morreu depois de uma discussão entre “amigos”.
Ainda de acordo com a mãe, o autor do crime, que mora em São Paulo, mas tem parentes em Barroso, chegou a ficar foragido, mas se apresentou e responde o crime em liberdade.
DELEGADO FALA SOBRE O CASO
Em contato com o Delegado de Barroso, Alexsander Soares Diniz, a reportagem apurou que o inquérito já foi concluído e está sendo enviado para a Promotoria. “Já concluímos este caso. Ele confessou o crime dias depois, na presença do advogado, e será indiciado como homicídio doloso consumado”, diz. Se pegar uma pena simples, o autor pode levar de 6 a 20 anos de prisão. Se for qualificado, de 12 a 30 anos.
A mãe do jovem, Onilda, adentrou a redação do jornal segurando entre os dedos uma carta escrita a mão por ela e pediu que o jornal divulgasse a dor de uma mãe que perdeu o filho e vive a injustiça brasileira na prática. Confira a carta na íntegra.
DEPOIMENTO DE UMA MÃE DESESPERADA
Para uma mãe aceitar tanta injuria não é fácil, apesar da lei conhecer o réu confesso, ainda tem que esperar pela investigação. A diferença é que há um ano meu filho não precisou de investigação para ser condenado. Ele foi morto no dia 9 de novembro e enterrado no dia 10. Esta foi à única e verdadeira prisão sem ter investigação, ou seja, ele foi logo condenado a prisão perpetua sem ser investigado. A condenação foi imediata. O IML deu a sentença. Com menos de uma hora de investigação (e não um ano) já saiu à sentença para ele: prisão perpetua. Estas foram às únicas palavras; prisão perpetua. Que Deus o tenha. Estas são as palavras de uma mãe a espera de investigação desde 09 de novembro de 2013. Até hoje, dia 01 de dezembro de 2014, eu sou apenas uma mãe esperando justiça.
Hoje sinto o que uma mãe procura justiça sente. Que Deus nos ouça e nos atenda com uma palavra: justiça. Para as mães que lerem este jornal peço que rezem, orem e peçam a Deus por nós. Vamos acreditar que Jesus vai nos ajudar, é o que nos resta, além de pedirmos forças.
Lamento a prisão perpétua apenas para as vítimas, no caso, meu filho.
Dia 22 de dezembro de 2014, completam-se dois anos da morte da jovem Eloíza Fernanda da Silva, de 21 anos, moradora do Bedeschi que teria sido morta por estrangulamento. O caso, que ficou conhecido na cidade como Crime da Cadeinha, continua sem solução.
O Crime aconteceu na madrugada de uma sexta-feira, quando a jovem, de acordo com posts da internet, teria desaparecido. Porém, o corpo só foi encontrado pela manhã do sábado (22 de dezembro de 2012) e deixou a cidade de Barroso em choque. Eloíza foi encontrada jogada num matagal na Rua da Cadeinha, atrás do hospital, com indícios de estrangulamento por uma corda. Oito meses depois, em agosto de 2013, os exames feitos pelo Instituto Médico Legal (IML), de Belo Horizonte, com o material recolhido do corpo da vítima, foram entregues à Polícia Civil de Barroso, mas nada que pudesse apontar o assassino foi encontrado.
Desde então, a mãe Neide Maria Rodrigues Silva, vem falando à reportagem sobre a injustiça que paira no caso da sua filha e em todo o Brasil. “Praticamente dois anos da morte da minha filha. Ninguém da Polícia me liga, ninguém me dá satisfação. Quem morreu foi minha filha, um ser humano, não foi nenhum animal não”, desabafa a mãe que lembra que nesta sexta-feira (5) a filha de Eloíza estaria formando na Escola. “Eu estarei lá com minha neta, mas era para a mãe dela estar lá. Continuo querendo justiça. Não peço mais nada do mundo, a não ser saber quem matou minha filha”, diz.
O Delegado declarou que as investigações não pararam em momento algum e que continua atrás de pistas que possam levar ao criminoso. “Também é do nosso interesse resolver este caso. Continuaremos trabalhando no crime”, diz Alexsander Soares.
SÁBADOS TRÁGICOS
Além de jovens barrosenses que perderam a vida no volante, seja dentro da cidade ou na BR, os sábados, ou as madrugadas de sexta para sábado, tem sido negros no calendário da cidade.
A maioria das recentes tragédias têm acontecido nos sábados em Barroso. O último caso que comprova o “dia negro” foi o do jovem Tiago Tavares, 29, de Lafaiete, que morreu com uma pedrada na cabeça na Praça Strauss Marques, a Praça do Rosário. Estão na lista os acidentes de jovens com veículos, os dois casos citados nesta edição, Crime da Cadeinha e Caso Kel-vinho, e a maior tragédia da história do município, a Tragédia da Rua Viena, no bairro Jardim Europa, quando cinco crianças perderam a vida em um incêndio, justamente na manhã de um sábado, dia 26 de abril.

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