As eleições são o momento máximo da nossa soberania. É quando a cidade de Barroso se olha no espelho e decide, com a força de cada cidadão, os rumos que deseja tomar. No entanto, o processo eleitoral recente tem revelado um sintoma preocupante que exige a nossa reflexão coletiva: o crescimento da abstenção. Dados recentes mostram que Barroso acompanhou a média de abstenção nacional, registrando cerca de 21% de ausências. Isso significa que mais de 3.500 eleitores simplesmente não foram às urnas. É fundamental fazermos uma distinção clara, que muitos acabam confundindo, mas que tem um peso político totalmente diferente: Votar em branco ou nulo: É uma manifestação legítima de insatisfação. Significa dizer: “Não estou satisfeito com nenhum dos candidatos apresentados”. É o protesto político feito dentro do sistema democrático. Não ir votar (abstenção): É uma omissão perigosa. Deixar de ir significa, no fundo, abdicar do seu direito de escolha e enviar a mensagem de que você é indiferente à própria democracia.
Muitos pensam que deixar de votar é uma forma de protestar contra os políticos. Não, não é. O caminho para demonstrar insatisfação com os candidatos é o voto nulo ou em branco — ou, melhor ainda, a participação ativa, a cobrança e a fiscalização dos eleitos. Ficar ausente é abrir mão do direito de reclamar. Mais do que isso: o enfraquecimento da participação popular é perigoso para a própria democracia, abrindo brechas e alimentando discursos autoritários que flertam com o retorno de períodos sombrios, como a ditadura. A história nos ensina que a liberdade e o direito de escolha não caem do céu; eles custaram caro e precisam ser exercidos para não serem perdidos.

