Há pessoas que ajudam a construir uma cidade com suas mãos. Outras, com seu trabalho. E existem aquelas que ajudam a construí-la e, ao mesmo tempo, fazem questão de preservar aquilo que ela foi. Eustáquio Henrique de Melo Silva, 36 anos, é uma dessas pessoas. Filho de Wagner Ferreira da Silva, o Taquinho, e Maria Helena de Melo, Eustáquio começou seus estudos na antiga Escola Beija-Flor, passando depois pela Escola Sant’Ana e pelo FAPI. Mais tarde, levou para a universidade uma paixão que já fazia parte de sua vida: a História, que cursou na Universidade de Uberaba.
Mas sua relação com o passado começou muito antes da faculdade. Ainda criança, Eustáquio ouvia da avó Trindade histórias da família e observava antigas fotografias. Foi ela quem lhe explicou, inclusive, a origem de seu nome, uma homenagem ao avô materno. Anos depois, trabalhando com o avô Lolo do Açougue, continuou ouvindo histórias, causos e lembranças, também compartilhadas pela avó Zulma.
Aquelas histórias despertaram uma curiosidade que nunca mais parou. Primeiro, Eustáquio começou a pesquisar a história de sua própria família. Depois, a história das famílias de Barroso. E foi justamente através da genealogia que ele mergulhou cada vez mais fundo na história da cidade. Quanto mais pesquisava, mais percebia que por trás de cada nome, cada fotografia e cada família existia um pedaço da história de Barroso.
A paixão cresceu e virou propósito. Ao lado de outros entusiastas da história local, Eustáquio tentou algumas vezes transformar esse interesse em um projeto maior: criar uma instituição dedicada à preservação da memória barrosense. Depois de algumas tentativas, o sonho finalmente se concretizou em 2023, com a criação do Instituto Histórico do Barroso, do qual é membro.
E é justamente por esse trabalho que Eustáquio merece estar entre as pessoas que representam “A Cara de Barroso”. Porque preservar a história de uma cidade é também preservar a identidade de seu povo. É não deixar que os personagens, as famílias, os acontecimentos e as lembranças desapareçam com o tempo.
Eustáquio escolheu olhar para trás para ajudar Barroso a seguir em frente, mantendo viva a memória daqueles que ajudaram a construir a cidade que conhecemos hoje.
Barroso tem muitas histórias.
E felizmente existem pessoas dispostas a contá-las.

