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A Prefeitura Municipal de Barroso confirmou o início de um projeto de revitalização urbana que une infraestrutura e memória histórica. O espaço localizado na Avenida Genésio Graçano, em frente ao Bar do Meio, passará por uma reforma completa, transformando-se em um marco de gratidão aos ex-combatentes barrosenses que integraram a Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial. Cerca de R$140 mil serão investidos na construção da praça. O Projeto de Lei de abertura de crédito especial já foi aprovado pela Câmara Municipal de Barroso e as obras devem começar nos próximos dias.

Mais do que uma melhoria estética e estrutural, a intervenção no espaço público busca corrigir uma dívida histórica com os cidadãos que deixaram o interior de Mi nas Gerais para defender a democracia nos campos de batalha da Europa. A reforma prevê a modernização do paisagismo e a instalação de elementos que remetem ao legado dos veteranos, em especial Alcides Maia, que morreu em combate na Itália, na segunda guerra mundial. “A obra é uma homenagem a um herói de guerra, um “febiano” muito conhecido que tem homenagem até na Itália, onde faleceu em combate”, diz Capitão Assunção, do Exército Brasileiro e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Barroso (IHG), que através dos seus representantes foi quem levou a demanda até o executivo municipal. Alcides nasceu no povoado da Caveira e na época da guerra era morador de Barroso. O Executivo Municipal destacou que o espaço será um ponto de referência para que as novas gerações conheçam a bravura dos soldados locais. Embora todos os veteranos homenageados já tenham falecido, o objetivo é perpetuar seus nomes na cronologia oficial da cidade. “É um pedido do Instituto que vamos conseguir concretizar e deixar para sempre na história de Barroso o nome destes “pracinhas” que serviram a nossa pátria”, diz Anderson de Paula, Prefeito de Barroso que ao lado de membros do Instituto anunciou a revitalização do espaço público que hoje não tem quase nenhuma utilização na Avenida.

A praça renderá tributo formal a seis expedicionários barrosenses, cujas trajetórias na FEB orgulham a comunidade. Segue abaixo os nomes;

Alcides Maia Rosa

João Batista da Silva

José Domingos de Assis

José Marcelino do Nasco

Otávio Carlos da Silva

Alvim Alves Moreira

A expectativa é que a inauguração, ainda este ano, conte com a presença de familiares dos ex-combatentes, em uma cerimônia que promete ser um dos momentos mais emocionantes do calendário cívico municipal deste ano. Entre os homenageados está também João Batista da Silva, Veterano da 2° Guerra Mundial, que foi homenageado pelo neto, o Subtenente do Exército Marcos dos Santos Liandro, que hoje vive no Pará. Ele fez uma linda homenagem ao avô sobre o Dia 08 de Maio, quando é comemorado o Dia da Vitória no Exército Brasileiro. O militar fez questão de relembrar os momentos vividos na infância e as histórias contadas por sua mãe Cecília Batista Liandro.

Pouca gente sabe, mas a primeira bandeira de Barroso foi hasteada neste espaço público, na época, em 1971, Avenida Mi nas Gerais. O ex-prefeito Baldonedo Napoleão de Souza foi quem hasteou a bandeira. “Depois de muitas conversas entre Instituto e Executivo, chegamos ao ponto comum de que seria a Praça da Bandeira, justamente para fazer alusão à bandeira de Barroso que foi hasteada ali em 7 de setembro de 1971”, diz o Presidente do IHG Alessandro de Paula. A escolha da Avenida Genésio Graçano para receber a homenagem também é estratégica, dada a visibilidade e o fluxo da via. A obra faz parte de um pacote de investimentos em espaços de convivência, visando oferecer mais segurança e lazer aos moradores, ao mesmo tempo em que valoriza o patrimônio imaterial de Barroso. “O Instituto foi procurado pelo Capitão Juliane Assunção Pinto que nos apresentou inicialmente a ideia de um monumento homenageando os barrosenses que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Então oficializamos o prefeito e ele nos atendeu muito bem, acatando nossa sugestão e mais do que um monumento teremos a Praça da Bandeira para homenagear os Febianos e rememoramos o hasteamento da primeira Bandeira do município do Barroso em sete de setembro de 1971. Para nós do Instituto é motivo de satisfação saber que a atual administração respeita a memória e não deixa a História se apagar”, diz Alessandro. BRASILEIROS NA SEGUNDA GUERRA O Brasil enviou aproximadamente 25.334 homens e mulheres da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater na Segunda Guerra Mundial, especificamente no fronte italiano entre 1944 e 1945.Composição da FEB: Do total enviado, cerca de 15.069 eram combatentes e 10.265 integravam o quadro de apoio, incluindo enfermeiras.

Outras Forças: Além da FEB (Exército), o Brasil enviou o 1º Grupo de Aviação de Caça (FAB), com 374 militares, e contribuiu com a Marinha. Baixas: A participação brasileira na Itália resultou em 451 mortes entre os militares da FEB, com um total de quase 500 mortes incluindo as três forças. Atuação: Os “pracinhas” lutaram em batalhas importantes, como Monte Castello e Montese. A campanha foi marcante por ser a única nação latino-americana a enviar tropas para o com bate terrestre na Europa.

Segundo o Censo Permanente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), existem hoje, nesta data, 25 brasileiros sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Entre eles está o Tenente José Santana Baltazar, de 101 anos de idade (foto ao lado com o barrosense Liandro, roupa do exército). Ele mora no Pará e foi homenageado na sexta-feira, 8 de maio, entre outros militares, pelo barrosense Sub-Tenente Liandro. Também estão vivos, entre os 25 guerreiros, três mineiros; dois em Juiz de Fora e um em Montes Claros. Eles têm idade entre 100 e 103 anos. O mais velho ainda vivo é o 2º Tenente Nestor da Silva, de Brasília.

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