Uso do celular ao volante rende 10 multas por dia a motoristas em Minas Gerais

Dois segundos podem passar num piscar de olhos, mas é tempo suficiente para que a distração no trânsito acabe em morte. Não por acaso, o uso do celular ao volante já é a terceira maior causa de acidentes automobilísticos no país, perdendo apenas para o abuso de velocidade e o consumo de álcool antes de assumir a direção, segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet).

E não é difícil encontrar condutores dividindo a atenção com os smartphones. Apesar de ser considerada falta gravíssima e acarretar multa de R$ 293,47, com perda de sete pontos na carteira de habilitação, a equipe de reportagem do Hoje em Dia flagrou até mesmo quem dirigia vans escolares cometendo a infração.

Para especialistas, se o avanço da tecnologia trouxe facilidades, os riscos também vieram a reboque. O cirurgião Dirceu Rodrigues Alves, diretor do Departamento de Medicina do Tráfego da Abramet, afirma que o uso do celular representa mais de 90% dos acidentes causados por desatenção.

Automático

Dirceu Alves ainda destaca que, mesmo mantendo os olhos fixos no fluxo de automóveis, a pessoa que usa o aparelho não consegue manter 100% da atenção ao volante. “Ela passa a ter uma visão tubular e perde a referência do que se passa nas laterais do veículo. É como se estivesse no piloto automático”, ressalta. Em muitos casos, diz o médico, o motorista não consegue nem mesmo se lembrar dos locais por onde dirigiu enquanto falava ao telefone.

Nas estradas

Rotina nas áreas urbanas, cenas de motoristas usando celular ao volante se repetem nas estradas que cortam Minas Gerais. Levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que 3.635 pessoas foram multadas por esse motivo nas rodovias federais do Estado em 2017 – média de dez ocorrências por dia.

A corporação ressalta, no entanto, que em caso de acidente é praticamente impossível identificar se o condutor utilizava o telefone no momento da colisão. “Geralmente, ele não deixa pistas, a não ser que ocupantes dos outros veículos informem, e o próprio condutor nunca fala que estava no celular no momento do acidente”, explica o policial rodoviário Fábio Jardim.

Hoje Em Dia