O “TAL” PRECONCEITO

palestra sobre drogas

Na próxima quarta-feira, 1º de maio, comemoramos no Brasil o Dia do Trabalhador. Uma data que deveria ser motivo de festa acaba causando reflexões preocupantes, mesmo com a baixa taxa de desemprego no país, por volta dos 5,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A razão é a alta porcentagem de desemprego entre os brasileiros com ficha criminal, que pode chegar a 70%, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O alto número é relacionado à falta de preparação profissional, mas, mesmo com qualificação, o indivíduo ainda tem que lidar com um grande problema: o preconceito. Se ele existe?

Exemplo disso é o enfermeiro barrosense Thiago Bartolini Alves, de 29 anos, que cumpre a pena em regime semi-aberto a oito meses e desde então está desempregado. “Foram tantas as vagas de emprego a que me candidatei que cheguei a perder as contas, e nunca me chamaram”, conta o jovem barrosense que enfrenta o preconceito.

Thiago foi preso por tráfico de drogas e associação ao tráfico em se-tembro de 2009, durante a Operação Primavera, junto com outras 16 pessoas. Sendo condenado a oito anos de prisão, cumprindo três anos em regime fechado. “Achava que o dinheiro era tudo na vida, mas percebi que fiz a escolha errada quando fui preso dentro de minha casa. Me arrependo muito. Passei por momentos difíceis, principalmente quando houve uma rebelião na cela onde eu me encontrava”, afirma. O enfermeiro desempregado está certo de que não consegue trabalho pelo preconceito, mas garante que daria muito valor se tivesse uma chance. “Fiz uma escolha de buscar a Deus, isso fez com que eu tivesse força para superar tudo com o apoio da minha família. Tudo o que eu quero agora é poder ter uma vida digna, cuidar dos meus dois lindos filhos e aperfeiçoar meus estudos”, garantiu.

Thiago aproveita para aconselhar os jovens que estão indo pelo mesmo caminho das drogas a buscarem a Deus. “Não pensem que a droga traz felicidade, pois a tristeza e a dor de deixar a família e conviver atrás das grades é muito maior”, conclui.

Essa dificuldade enfrentada por quem tem ficha criminal na procura por emprego só faz aumentar o índice de reincidência no crime, que, segundo o CNJ, gira em torno de 60% a 70% no Brasil. E mesmo com programas do governo para ressocialização de detentos no mercado de trabalho, se livrar do preconceito depende de cada um.

 

ORIGEM DO FERIADO

O Dia do Trabalho, comemorado anualmente no primeiro dia de maio, é uma homenagem a uma manifestação ocorrida na cidade de Chicago (EUA) em 1886, onde milhares de trabalhadores reivindicavam redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. No Brasil a data é comemorada desde 1895, mas o feriado nacional só foi decretado em 1925, pelo então presidente Arthur Bernardes.