LafargeHolcim vai retornar a queima de resíduos

A cimenteira multinacional LafargeHolcim, união dos grupos franceses e suíços, que não realizava o coprocessamento, queima de resíduos na cidade desde 2014, anunciou no mês passado que retomará a atividade na fábrica de Barroso. O anúncio gerou mobilização da população e muita revolta nas redes sociais.

Depois de adquirir, em dezembro de 2017, a licença prévia para a realização do coprocessamento em Barroso, a LagargeHolcim deu andamento no seu plano de comunicação para a realização da queima de resíduos, que deve ter início ainda em 2018. O comando da Fábrica realizou reuniões para anunciar que a Unidade Barroso voltará a usar o coprocessamento como fonte de energia para produção de cimento. A tecnologia é considerada pela empresa como uma alternativa sustentável e ambientalmente correta para destinação de resíduos industriais e urbanos. Foram três reuniões realizadas: uma com o  Legislativo, outra com o Executivo e mais uma com a Imprensa local.

De acordo o Gerente Juliano Menezes, os documentos já foram enviados para Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) para obtenção da Licença Ambiental necessária para realizar as atividades e os trabalhos continuam nas dependências da Fábrica. A unidade anterior à expansão, a estrutura antiga da Fábrica, que atualmente não está em produção, já tem a licença para o coprocessamento, mas esta atividade está suspensa desde setembro de 2014. “Vale ressaltar e reforçar que o coprocessamento não é uma coisa nova, já existiu aqui e a intenção é voltarmos a realizar até porque somos a única unidade da LH que não realiza o coprocessamento”, diz Juliano.

Alguns questionamentos foram levantados pela reportagem do Barroso EM DIA na coletiva de imprensa. Entre eles, vale destacar: as leis municipais que hoje existem na cidade, a possível parceria com Dores de Campos para a queima de resto de couros, a alteração no valor final do cimento e o aumento da mão de obra para a realização do coprocessamento.

POSICIONAMENTO

No que diz respeito às leis, a Lei Municipal 2.558, de autoria do ex-vereador Fernando Terra, sobre o aumento da alíquota do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) de 4% para 5%, Lei 2.574, de autoria do vereador Eduardo Pinto (PV), determina que a empresa que use o coprocessamento faça ampla divulgação de dados como materiais usados, emissões, licenças ambientais e até o valor recebido pela empresa para realizar o coprocessamento e a Lei 2.589, também de autoria do vereador Fernando Terra, que criou a Taxa Municipal de Fiscalização Ambiental da Atividade de Coprocessamento, a empresa respondeu que todas as leis serão cumpridas integralmente e alguns pontos serão debatidos com o Executivo.

No que diz respeito à possibilidade de queima dos produtos/restos de lixo oriundos de Dores de Campos, as empresas envolvidas estão debatendo a questão, mas a prioridade são os materiais da cidade, ressaltando que não é permitido o coprocessamento de lixo hospitalar.

Por fim, a empresa afirma que não haverá mudança/aumento no quadro de funcionários de imediato devido ao coprocessamento e que também não haverá alteração no valor final do cimento. O Barroso EM DIA também questionou sobre os riscos para os trabalhadores com o início do coprocessamento. Segundo a empresa, existem números que comprovam que não há riscos para os funcionários nem para os moradores de Barroso com as atividades que serão reimplantadas.

POPULAÇÃO

Tão logo a Fábrica anunciou o retorno do coprocessamento em Barroso, muitos cidadãos e líderes, como o Pároco Padre Fábio José Damasceno, se mostraram contrários à atitude da cimenteira na cidade. Crítico em tempos passados, o pároco admitiu ter a mesma opinião contra o coprocessamento e disse que será um prejuízo muito grande para a população barrosense. “Acho que as autoridades, o povo e nós, que somos líderes, temos que nos mobilizar para que isso não aconteça”, relata o Padre que acrescentou que a empresa só está preocupada em explorar a cidade. “Estão tirando nossa riqueza, do nosso solo. Enquanto Barroso for interessante eles ficam aqui. Não oferecem nada para a cidade. Não tem preocupação com os pobres, com questões sociais. Quando acabar, Barroso vai ficar aí com crateras e eles simplesmente vão dar um tchau para nossa cidade”, diz.

Outros líderes, de vários setores, também se organizaram e criaram uma Comissão Pró-Cidadania, contrária à queima de resíduos, e estão se movimentando e conversando com autoridades. Eles realizaram uma reunião com os vereadores e se encontrarão com o Prefeito Reinaldo Fonseca (PSDB) e com o Ministério Público. “A reunião foi avaliada como altamente produtiva pela Comissão. Os vereadores presentes manifestaram apoio à Comissão, no sentido de defender prioritariamente a saúde da população de Barroso”, diz Luiz Moreira, um dos membros da Comissão.

O prefeito da cidade foi questionado sobre o coprocessamento, mas não quis se manifestar.

ENQUETE

Na última semana de março o Barroso EM DIA realizou na sua página oficial no Facebook uma enquete com o intuito de saber a posição da população com relação ao coprocessamento anunciado pela LafargeHolcim. A pesquisa ficou disponível por sete dias na rede social, de segunda-feira (26) a segunda-feira (2).

Ao todo, foram  mil e trezentos votos, sendo 78% deles contra a queima de resíduos no município e 22% a favor do retorno do coprocessamento. Além dos votos, muitos cidadãos/internautas aproveitaram para comentar o post e fazer campanha contra a queima. “População barrosense, se atentem de que isso é apenas uma forma a mais de uma empresa despreocupada com a saúde pública ganhar dinheiro. Votem NÃO, pela saúde! Votem NÃO para preservar o pouco de ar puro que ainda resta em Barroso”, diz um dos posts. Já um outro post mostra preocupação com a saúde. “Não, nos barrosenses temos que nus unir.Eles tão achando que somos bobos! Se isso acontecer em bso vai aumentar os casos de doenças, sou contra!”, diz.

A reportagem entrou em contato com a LH para comentar o resultado da enquete, mas até o fechamento desta edição a cimenteira não havia se pronunciado sobre o resultado.