Após a prisão do Lula. Lamentar ou comemorar?

Sábado, 7 de abril de 2018, milhões de brasileiros, assim como eu, manifestaram apoio solidário ao ex-presidente Lula. Diferentemente, o mesmo aconteceu com milhões de brasileiros que comemoraram a sua prisão. Todos, apesar de divergentes, respaldados pela democracia.

Creio que esse último domingo, 8 de abril , possa ser considerado, não como o primeiro dia de lamentação ou de comemoração pela prisão do político, mas como o início de uma nova era, com uma nova mentalidade no combate à corrupção.

É um novo dia, os dias passam, os problemas tendem a aumentar e a corrupção a se expandir. Muitos, talvez os mais perigosos, ainda permanecem livres e impunes, “lidando” normalmente com o nosso dinheiro e, de certa forma, protegidos por algumas autoridades impatriotas. Por isso, o dia de hoje vai além da prisão de ontem.

A credibilidade do Executivo, Legislativo e do próprio Judiciário brasileiro, infelizmente, continua em queda livre e com a imagem manchada; são poucos os que acreditam no poder público, nas instituições e em nossos “representantes”. Devida as circunstâncias, o combate à corrupção passa a depender mais de cada um de nós do que das autoridades desgastadas moralmente.

O brasileiro precisa deixar um pouco de lado as novelas, o Big Brother Brasil, e passar a se interessar mais por política, entender melhor as políticas públicas e se envolver mais na vida coletiva da comunidade.

Talvez seja a ausência do cidadão, na política, uma das principais causas do aumento da corrupção. É hora de mudança de comportamento: participar mais, agir mais, fiscalizar mais e lamentar menos. Ou então, permaneceremos enxugando gelo.

Em alguns meses acontecerão as eleições, um momento de extrema importância no combate a corrupção. O eleitor tem em mãos uma arma poderosíssima, capaz de reduzir significativamente o número de corruptos e, consequentemente, a corrupção, desde que usada com muita consciência: o VOTO. Através dele, é possível selecionar melhor os nossos agentes políticos e, por consequência, melhorar a nossa qualidade de vida.

No entanto, pouco ou nada vai adiantar se o eleitor continuar vendendo o seu voto ou continuar sendo eleitor de cabresto, sem avaliar a competência do “amigo” candidato. Agindo assim, você estará colocando no poder pessoas inescrupulosas e despreparadas, as quais causarão a todos nós, sérias consequências no futuro, além de não contribuir para um país melhor.

Portanto, se realmente queremos uma vida melhor, as mudanças devem começar por cada de um nós. Por isso, espero que hoje seja o primeiro dia de um novo comportamento e de uma nova mentalidade no combate à corrupção, com uma participação mais ativa e efetiva em tudo que diz respeito à nossa vida social.

Por fim, que o dia de hoje não seja o início de uma calmaria, como se a combate à corrupção tivesse findado ontem. E, que a agilidade da nossa justiça, vista nos últimos meses, seja permanente e justa com todos, indistintamente.

por Luiz Moreira