Somos todos vítimas do trânsito!

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Eu sei que não parece, mas a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança no Brasil, em todo o território nacional, só foi estabelecida no ano de 1998. Se você tem mais de 30 anos provavelmente se lembrará da polêmica, das reportagens, das campanhas na TV e do quão difícil foi a nossa adaptação à nova regra. Sei que parece absurdo, mas nós levamos ainda mais 10 anos para criarmos a, hoje tão famosa, Lei Seca, que prevê tolerância zero para quem mistura bebida alcoólica e direção.

Essas duas normas, dirigir sóbrio e usar o cinto, estão hoje automatizadas no comportamento da maioria dos motoristas. Elas são também exemplos de como a nossa sociedade pode avançar, de forma gradativa, na solução de problemas coletivos graves. Diversos estudos, como os da Fundação Getúlio Vargas, comprovam que essas medidas surtem efeitos positivos generalizados. Assim, nos últimos anos, apesar de ainda registrarmos a quantidade anual de mais de 30 mil mortes no trânsito, tem caído o número de acidentes fatais no país.

A notícia ruim é que esse quadro, já alarmante, tende a regredir e piorar nos próximos anos. Nessa semana o Governo Federal, negando a ciência, a estatística, as evidências, as boas práticas e até bom senso, anunciou medidas absurdas e que ampliam a insegurança no trânsito. O governo quer premiar motoristas imprudentes dobrando a pontuação necessária para a suspensão da CNH; estimular a velocidade nas estradas com a retirada de radares e, pasmem, eliminar a multa para quem transporta crianças fora da cadeirinha.

Se você é a favor de mais segurança nas estradas e acredita que devemos estimular o comportamento educado e cidadão no trânsito e punir o comportamento imprudente, uma boa forma de fazer a sua voz ser ouvida é se juntar ao Grupo do Facebook denominado “Somos Todos Vítimas da BR265”. Esse é um movimento legítimo da sociedade, original da nossa região e que luta por um trânsito mais humano e mais seguro. Quando dirigimos em um país de políticos inconsequentes, é preciso atenção e ação redobradas.

por Antônio Claret 

 

Conheça os exemplos e acesse os dados citados no comentário de hoje no blog antonioclaret.com.

Clique abaixo e ouça o áudio do texto na íntegra

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