ZÉ AUGUSTO DOS CORREIOS

_MG_2658“Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual…” A frase é de um maluco beleza que assinava Raul Seixas, mas se encaixa muito bem com nosso homenageado. Aliás, é a “Cara” dele que, por sinal, é a Cara de Barroso: José Augusto de Souza Nogueira, ou simplesmente o Zé Augusto dos Correios.

É quase impossível não trombar por aí com essa figura emblemática. Com um andar desengonçado, em meio a um turbilhão de cartas e destinos, lá se vai um cidadão com um compromisso estampado na face e nas horas vagas uma latinha nas mãos, porque ninguém é de ferro e nem deve ser.

Assim é Zé Augusto: um “menino” de 51 anos que insiste em viver a seu modo e à sua maneira. Um contabilista que dobra esquinas levando sonhos e trazendo pesadelos. Que atravessa vielas, toma chuva, sol, cerveja, entrega amor, _MG_2648joga ódio pelas janelas, corre de cachorros, traz boas e leva velhas histórias. Vive e sobrevive como todos os brasileiros, porém, diferente de muitos milionários, sente um prazer imensurável pelo que faz.

E como faz, faz como ninguém e faz há 18 anos, com a mesma dedicação e com a mesma vontade todos os santos e calorosos dias. O agente de Correios que no passado aprendeu entre os pilares do Arthur Napoleão e da Escola da Fábrica, atravessou secretarias do governo, passou pela extinta Minas Caixa por 12 anos e colecionou amizades, como coleciona em sua memória canções eletrônicas e românticas.

Este é o Zé, aquele que dança, que brinca, que trabalha, que é honesto, que é de bem com a vida e de mal com as portas que não deixam suas frestas para as cartas. Cartas que um dia levarão e trarão notícias de longe e do próprio Zé. Isso porque ele sonha “embarcar” no seu próprio trailler, acelerar, mesmo que não saiba dirigir, rumo ao infinito, rodando o Brasil e o mundo e acumulando riquezas como suas inúmeras amizades.

Enfim, já dá até para imaginar… Lá se vai o Zé, seguindo um caminho que ele mesmo escolheu. Fácil de seguir por simplesmente não ter onde ir. E ir, como qualquer maluco beleza vai, controlando a sua maluquez, misturada com sua lucidez.  É ou não é, Zé?