UM NEGRO NOS CAMPOS DE BATALHA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

acervo Alcides Maia

A foto registra soldados do 11º Batalhão de Infantaria de São João del Rei no front da Segunda Guerra. E quem imaginaria que um antigo morador da Rua da Mina, natural do distrito de Emboabas, pobre e negro sairia de um grande confronto mundial como herói? A verdade é que o cabo José Marcelino do Nascimento seguiu para a Itália, em 22 de setembro de 1944, e lutou bravamente nos campos de batalha tendo recebido elogios por sua conduta. Em 16 de janeiro de 1945, o cabo “retornou subindo por entre poeiras, ferro e escombros, arriscando sua própria vida durante o bombardeio que continuava para salvar a vida de um companheiro, um soldado ferido por estilhaços no pavimento superior e que gemia impossibilitado de se mover”. Em 25 de setembro de 1945, recebia a medalha de Campanha em reconhecimento de sua atitude. Por esta razão o veterano circulava pelas ruas de Barroso envergando sua farda. Uma polêmica, em maio de 1961, envolvendo o sargento reformado e o vigário local, atraiu diversas autoridades a Barroso. O incidente transformou-se em inquérito policial ficando conhecido como O Caso da Violação no Cemitério Paroquial. O vigário afastou-se temporariamente da Paróquia sob justificativa de “estafa” e o soldado mudou-se para São João del Rei onde faleceu em 09/07/1971, sendo sepultado no Cemitério das Mercês. Mistérios e polêmicas à parte, sobre o desfecho do incidente, José Marcelino popularizou-se na história de nossa cidade a mercê de sua coragem e luta contra os poderosos de seu tempo.

Fundo do Baú por Welington Tibério