Serpentes são do “bem”

Figura 01: Caninana – Spilotes pullatus

Na cultura Cristã as serpentes são tidas como figuras do “mal”, mas evidentemente isso é um tremendo equivoco.

Nesse segundo texto sobre biodiversidade, a ideia é mostra-los o quanto são úteis esses animais nos ecossistemas e para nós seres humanos, e assim contribuir para a conservação desses animais.

No Brasil já foram descritas cerca de 400 espécies de serpentes, maioria inofensivas, como as Caninanas (Figura 01) Cobras-cipó (Figura 02) e as , sendo 63 espécies peçonhentas, isto é, possuem toxinas ativas para humanos, inoculando seu veneno em nós, como as Jararacas (Figura 03).

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Figura 01: Cobra cipó – Chironius sp.
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Figura 03: jararaca Botrops jararaca

Muitas espécies de serpentes se alimentam de ratos, estes que transmitem doenças e são pragas urbanas e agrícolas. Portanto, as serpentes agem no controle biológico.

Além disso, são produzidos a partir das toxinas das jararacas, por exemplo, medicamentos para o controle da pressão sanguínea (Captopril) ou analgésicos e anestésicos (ver mais: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/biodiversa/cascavel-veia-ou-capsulas-280506/).

Esses animais não nos atacam apenas se defendem quando se sentem ameaçados. Por exemplo, o som produzido pelo chocalho da cascavel significa “opa não pisa em mim tô aqui, se pisar vou morder”, mas o medo exagerado propagado nos leva a temer esses bichos e a mata-los. Obvio que no caso de um desses animais aparecerem nas nossas casas e não tivermos como acionar os bombeiros, defesa civil ou alguém que saiba manusea-los, por segurança, tem-se que sacrificar o bicho, mas isso em última instância.

Mitos

Em função do medo há muitas informações equivocadas, como do tipo:

“se mede a idade da Cascavel pelo número de anéis no chocalho” – ERRADO, cada anel é resultado de uma troca de pele e como isso pode ocorrer de uma a três vezes por ano, não há como saber a idade do animal.

“se diferencia as corais falsas das verdadeiras pela sequencia de cores (Figura 04)” – ERRADO, só pela dentição se faz a diferença segura.

“Sucuris matam as presas por quebrarem os ossos” – ERRADO, matam por asfixia, eventualmente após a morte da presa, pela força exercida pela serpente, pode ocorrer a quebra de ossos para facilitar a ingestão da caça.

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Figura 04: Coral verdadeira – Micrurus sp.

Portanto, pelo exposto, devemos valorizar esses animais e nos livrar desse estereótipo criado. No caso do encontro com uma serpente no campo, não a mate, deixa o animal seguir seu caminho. Tenha novos valores de vida.

por Marcos Magalhães