Respeito à Democracia, por Gian Brandão

A democracia, construção filosófica que existe há vários milênios, é dotada de questões que merecem ser mais bem analisadas.

Isso porque, pelo menos para nós brasileiros, a Democracia se faz de forma representativa, onde quem consegue o maior apoio popular, será o representante de todos. Isso mesmo, o prefeito e os vereadores eleitos nessa última eleição não serão representantes só de seus eleitores, mas de todos os cidadãos do município.

E parece que isso não está muito claro para a maioria. Ninguém tem que se ver derrotado ou humilhado por não ter conseguido a maioria. Nem os que tiveram mais votos têm o direito de ofender ou achar que são “donos” do poder porque seu representante obteve votos suficientes para fazer a maioria.

Por mais que não concordemos com o resultado, porque achamos que “nosso candidato” seria melhor, temos que respeitar a vontade da maioria. Ainda que alguns não consigam respeitar o resultado das urnas…

E não podemos julgar os eleitores da maioria como “bobos” ou “idiotas”, porque não votaram em nosso escolhido. Cada um tem direito de escolha. A imposição de nossa opinião parece-me autoritarismo.

Se o candidato mais preparado, mais estudado, com maior galardão intelectual não ganhou em prol de uma pessoa simples, com pouco estudo, isso não significa, de modo algum, que o povo elegeu errado. A ninguém é dado o poder de prever o futuro. Pode ser um grande governante sem ter qualquer estudo. Basta-lhe ser prudente, probo(honesto) e humilde em reconhecer suas limitações, escolhendo pessoas capazes de auxiliá-lo na tomada de decisões técnicas. Já tivemos grandes exemplos de homens simples que foram excelentes governantes e grandes sábios que deixaram o poder “sob vara”.

Tomara Deus que nossos eleitos tenham consciência disso. Ao formarem sua equipe de governo, que esqueçam “partido político” e pensem no melhor para o município. Esqueçam a “compensação” do apoio em troca de oferta de cargos públicos. Que sejam pessoas dignas de saberem reconhecer suas limitações e buscarem, de forma sábia, pessoas que os apóiem não para engrandecimento pessoal, mas para o bem comum, que deve ser o grande objetivo de todo e qualquer representante popular.

E aos eleitores, entendam que não estamos em um campeonato de futebol, com “torcidas” para os times. Somos cidadãos, eleitores que têm o direito e o dever de escolher o candidato que achamos melhor para a cidade. Ninguém perdeu. Ninguém ganhou. A Democracia ganhou. A cidade deve dar-se por satisfeita em ver sua população em festa pela vitória da vontade popular. Apesar das bandeiras brancas, pretas, amarelas, cinzas, vermelhas ou qualquer outra cor, nosso lado é do bem comum. E nossa bandeira, a partir de hoje, deve ser uma só: a do nosso município. Fiquemos cientes disso.

Parabéns aos que obtiveram mais votos e foram eleitos. Parabéns aos que fizeram parte desta grande festa da democracia mais não obtiveram votos suficientes para serem nossos representantes. Todos são atores fundamentais para o exercício da democracia.

E aos vencedores, não se esqueçam que, nos próximos 4 anos, suas vidas devem ser voltadas ao bem comum. Ao povo de seu município. Esqueçam um pouco de vocês e de suas famílias, e proporcionem uma vida mais digna a seus munícipes. E tomara Deus que daqui a pouco mais de quatro anos vocês possam, de cabeça erguida, dizer: valeu à pena!

Por Gian Brandão