Um cartaz fazendo apologia ao estupro e a violência contra a mulher foi pregado na parede de uma república em São João del Rei, no Campo das Vertentes, e gerou revolta nas redes sociais. O informativo trata dos direitos e deveres dos estudantes, porém traz deveres que estimulam bater em mulher e embebedá-la para poder ficar com ela.

Em um de seus artigos os estudantes escreveram: “nunca se deve bater em uma mulher, ela pode gostar”. E o cartaz segue com uma sequência de artigos machistas como: “o que é bom a gente come e mostra; o que é ruim a gente não mostra, mas come”, diz.  Em outras frases eles pegam mais pesado dizendo:  “é vedada toda e qualquer recriminação aos moradores que embebedar uma mulher para pegá-la”. O cartaz foi postado nas redes sociais e recebeu compartilhamentos e comentários contrários aos dizeres.

Após a repercussão, a república publicou uma nota em seu Facebook dizendo que erraram ao colar o cartaz. “Erramos por um dia ter colado este cartaz numa parede dentro da nossa casa. Erramos por ter convivido tanto tempo sem nos incomodar com o conteúdo deste cartaz de conteúdo machista. Temos família, esposas, namoradas, irmãs, mães e filhas. Não gostaríamos que elas fossem tratadas da forma como aquele cartaz sugere”, escreveu a república.

Os moradores e ex-moradores da república ainda disseram que vão queimar o cartaz. “Pedimos desculpas a todas as mulheres que já frequentaram a nossa casa e tiveram a desagradável experiência de ler aquele cartaz. Reafirmamos que apesar dos “direitos e deveres” demonstrados no cartaz, sempre prezamos pelo respeito nestes 13 anos de República DaNação”, conclui o informativo.

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) também se pronunciou contrário ao cartaz. “O cartaz divulgado estimula um crime contra a dignidade sexual, previsto no artigo 215 do Decreto-Lei no 2.848 do Código Penal: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. Cartazes como esses legitimam e perpetuam a violência de gênero, que mata mulheres todos os dias no Brasil e no mundo. Isso não é uma brincadeira, isso não é engraçado, isso é crime”, ressalta o diretório.

A Polícia Civil informou que está investigando o caso, mas já adiantou que o cartaz configura apologia ao crime.

O Tempo