Quem matou Eloíza? Mãe volta a falar do Crime da Cadeinha

Quase seis anos depois e nenhuma novidade

Somente em dezembro, mais precisamente no dia 22 de dezembro de 2018, que a morte da jovem Eloíza Fernanda da Silva, de 21 anos, completará seis anos, mas a mãe, Neide Maria Rodrigues Silva, a Dona Neide, hoje com 55 anos, não quer esperar a véspera para falar da dor que nunca se apagará da sua mente.

“Vi a reportagem do Barroso EM DIA falando que o crime não está encerrado e aproveito para cobrar, mais uma vez, das autoridades uma solução do crime contra a minha filha”, diz Neide, também moradora do Bedeschi, que foi procurada pela reportagem para falar sobre as declarações que o delegado Alexsander Soarez Diniz deu ao site www.barrosoemdia.com.br dizendo que o Crime da Cadeinha não está encerrado.

De acordo com o delegado, as investigações continuam e com o fechamento da Delegacia de Barroso os profissionais estão tendo mais tempo para executarem outros trabalhos, entre eles a investigação da morte de Eloíza.

“Ainda continuo aguardando e sonhando com justiça. Quem fez isso está solto aí e pode fazer de novo”, ressalta Neide que hoje, ao lado da neta Isabelle, de 9 anos, filha de Eloíza, quer explicações sobre o crime ocorrido naquele dezembro de 2012. “Não é possível que não encontrarão, em uma cidade pequena como Barroso, o autor do crime”, indaga Neide que reforça que poucas pessoas ainda se interessam pelo que aconteceu.

“Devo muito a vocês do jornal Barroso EM DIA que sempre me dão voz e ao Ricardo da Rádio que sempre está cobrando das autoridades”, diz Neide que reforça que a dor só aumenta. “O único crime que a minha filha cometeu foi ser bonita. Ela era uma mulher, adolescente muito bonita e uma ótima mãe, uma pessoa exemplar”, diz Neide que também sofre com problemas familiares. “Desde que a minha filha morreu, também sofro com meu marido que está de cama. Não é fácil suportar tanta dor e ainda conviver com a injustiça”, declara.

“Hoje, quase seis anos depois, minha neta faz perguntas que eu não sei responder. Tenho que conviver com ela e explicar o que não tem explicação. Quem fez isso com a minha filha, a mãe dela? Quem tirou a vida da mãe dela? O criminoso pode fazer isso de novo? Não sei dar respostas. Quero justiça e vou continuar querendo sempre. Se fosse a filha de uma pessoa rica ainda estaria sem respostas?”, questiona Neide e se emociona ao falar da ausência da filha que foi brutalmente assassinada em Barroso, na Rua Deudes José de Matos, a Rua da Cadeinha.

O CRIME

O crime, que ficou conhecido como Crime da Cadeinha, aconteceu na madrugada de uma sexta-feira, quando a jovem, de acordo com posts da internet, teria desaparecido. Porém, o corpo só foi encontrado pela manhã do sábado (22 de dezembro de 2012) e deixou a cidade de Barroso em choque. Eloíza foi encontrada jogada num matagal na Rua da Cadeinha, atrás do hospital, com indícios de estrangulamento por uma corda. Oito meses depois, em agosto de 2013, os exames feitos pelo Instituto Médico Legal (IML), de Belo Horizonte, com o material recolhido do corpo da vítima, foram entregues à Polícia Civil de Barroso, mas nada que pudesse apontar o assassino foi encontrado até hoje.

SÁBADOS TRÁGICOS EM BARROSO

Curiosamente, boa parte das recentes tragédias barrosenses tem acontecido aos sábados em Barroso. Além do caso de Eloíza, outro jovem, conhecido como Kelvinho, também foi morto em um sábado. Além de casos de suícidios aos sábados e acidentes nas estradas ou mesmo dentro da cidade, onde jovens já perderam a vida no volante, existem muitos casos de fatalidades e tragédias, de diversas formas, nos sábados.

Entre os exemplos está a morte do jovem Tiago Tavares, 29, de Lafaiete, que morreu com uma pedrada na cabeça na Praça Strauss Marques, a Praça do Rosário, aconteceu no dia negro, sábado. Estão também, assustadoramente, entre os números trágicos as mortes de cinco crianças na maior tragédia da história do município, a Tragédia da Rua Viena, no bairro Jardim Europa, justamente na manhã de um sábado, dia 26 de abril, quando as mesmas foram vítimas de um incêndio.