Precisamos falar sobre o Crack!

Impossível deixar passar em branco os dados do Observatório do Crack em que, através de informações, é detalhada a situação de cada cidade sobre o uso do crack, droga que vem matando jovens e famílias no Brasil e no mundo.

Os números nacionais elaborados e divulgados recentemente pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) chama atenção e bate na cara da sociedade, das autoridades e de entidades brasileiras. Dos 853 municípios de Minas Gerais, entre eles a nossa Barroso, a situação continua alarmante, ou seja, com sinal amarelo no Mapa do Crack no Brasil. Já 179 cidades estão em nível baixo, com sinal verde, e 191, grave, no vermelho, caso de Dores de Campos, nossa cidade vizinha. Apenas 21 cidades não têm problemas com a droga.

Os números são os mesmos divulgados pelo Barroso EM DIA em 2015, quando os dados foram publicados em âmbito nacional, ou seja, nada ou muito pouco mudou em Barroso e região.

De acordo com os profissionais, estes dados são abastecidos pelas próprias cidades do país, através de um sistema que dá acesso ao Mapa e à divulgação de ações e de casos enfrentados. Através das secretarias de saúde e assistência social estes números são sistematicamente atualizados e as ações são refletidas no cenário nacional.

O grande empecilho, segundo informações dos coordenadores, é que as cidades, com a troca de seus governos, não vêm atualizando ou detalhando suas ações e números, o que dificulta a real situação dos municípios que sofrem com as drogas. O que é o caso de Barroso que, de acordo com os profissionais do Observatório, ainda não abasteceu os painéis nestes últimos seis meses, dificultando assim uma “radiografia” atual do uso de crack no município. Consequentemente, há uma dificuldade maior em saber como enfrentar e onde aplicar essas ações contra o uso da droga, que a cada dia está crescendo no mundo.

Diante do problema, a reportagem, assim como em 2015, através da repórter Raquel Lopes, ouviu um usuário de Dores de Campos, conversou com um jovem barrosense que fazia o uso da droga e continua lutando para salvar sua vida. Com um depoimento forte e verdadeiro, o ex-usuário tenta detalhar o poder e o controle que o crack exerce sobre os dependentes. Segundo ele, o prazer e a obsessão se tornam tão poderosos que a vida e a família se tornam reféns da situação.

A matéria, publicada na edição 175 do Barroso EM DIA e também no site (clique aqui), ainda relembra o usuário de Dores, onde a situação também continua assustadora, e traz detalhes de como o crack pode destruir, rapidamente, o ser humano e as pessoas de sua convivência. Vale a leitura e um entendimento maior desta droga que invade nosso município.

Em confronto sistêmico com a droga, já que a maioria dos usuários são pessoas que estão afastadas das escolas e do ensino, o Barroso EM DIA traz um outro “mapa/pesquisa” da vontade/desejo dos estudantes barrosenses, em especial dos alunos do Francisco Antônio Pires, o FAPI. Através do professor de geografia Gustavo Costa, os alunos do ensino médio, dos segundos e terceiros anos, detalharam em gráficos, seus anseios quanto a uma futura formação acadêmica.

De acordo com os números, a maioria dos barrosenses querem ser engenheiros e médicos. Os dados mostram que as duas profissões são as mais atraentes. No trabalho, minucioso, a juventude, que ainda sonha, almeja um futuro melhor e uma profissão digna para suas vidas.

Portanto, uma edição do jornal impresso que mostra o retrato de uma sociedade que reflete uma realidade existente e enfrentada por todo o país. Situação que abrange a realidade de uma parte da sociedade que enfrenta a falta de oportunidade e uma doença, e outra parcela que sonha e quer um futuro longe das drogas. Gerações distintas: de craques e do crack. Um desafio mórbido que as autoridades devem estar bem atualizadas para enfrentar os números.

por Bruno Ferreira