Políticos e promessas! O mal da humanidade

“Para o brasileiro, a promessa é uma dúvida. Para o europeu, a promessa é uma dívida. Dúvida aqui, dívida lá.”

Com a confirmação das Leis de planejamento governamental, agora podemos afirmar que as promessas mais sedutoras das eleições de 2016 não serão cumpridas, não foram introduzidas integralmente no PPA – Plano Plurianual. Dessa forma, o PPA deixa de ser as propostas escolhidas pelos eleitores, através do voto.

Sempre repudiei essa forma de fazer política. Em várias eleições aconteceram os mais diversos casos de má-fé, de alguns candidatos. Propostas ilusórias, apenas para conseguir votos. Uma atitude cruel, causadora de tantos males à nossa sociedade, principalmente aos mais humildes que se iludem facilmente, e só depois é que percebem que o sonho tornou-se um pesadelo.

Em julho de 2016, faltando poucos meses para as eleições, participei de uma palestra na Câmara de Barroso sobre “Novas regras eleitorais – Eleições 2016”. Na oportunidade, uma senhora comentou que não havia lei que obrigasse o cumprimento do programa de governo. Por isso, o seu “grupo político” optou por elaborar um programa de governo tradicional, disse ela.

Naquele momento, por entender que seria mais um plano de ficção, pedi a palavra e expliquei publicamente que os vereadores e a própria sociedade têm o dever de cobrar dos eleitos, não só a inclusão das promessas nos instrumentos de planejamento, como também o seu cumprimento. Cumprir o que se promete pode até não ser uma obrigação legal, mas nem por isso não deixa de ser um compromisso moral.

Como eu já previa, dias depois, um panfleto recheado de promessas ilusórias foi distribuído em nosso município. Como candidato a vereador pela primeira vez, fiquei desiludido e desanimado, pois sabia que aquilo poderia influenciar nos resultados das eleições e trazer sérias conseqüências ao município. Não me enganei, mas até hoje sinto vergonha de ter participado de uma campanha eleitoral tão inconseqüente, em pleno século XXI.

O político e o eleitor precisam entender que essa maneira de fazer política não traz benefício algum, a ninguém. Se de um lado, o povo sofre com as desilusões; de outro, os gestores perdem a tranqüilidade e o sossego, pois a decepção do eleitor se transforma em revolta.

Contudo, é certo também que a culpabilidade é partilhada, tendo em vista que foi um “grupo político” que optou por elaborar um “programa de governo tradicional”, conforme disse aquela senhora, naquele dia.

Assim sendo, o mínimo que podemos esperar desse mesmo “grupo político”, além de um pedido de desculpas é que, pelo menos, os atendimentos básicos à nossa sociedade, principalmente aos mais necessitados – mais prejudicados – sejam da melhor qualidade possível. É o mínimo do mínimo.

Entretanto, como um bom barrosense que sou, não desisto nunca! Creio que um dia, legalmente ou conscientemente, esse tipo de comportamento terá fim. Até porque a história política de Barroso nos adverte que os eleitos dessa forma tiveram muitas dificuldades durante a gestão.

Perdoem-me pela sinceridade, mas é para o bem de TODOS. Uma situação prejudicial não pode sequenciar silenciosamente, com naturalidade, nem com omissão de críticas. E, diante dos fatos, apesar de perplexo ainda com a disputa de 2016, fico feliz em ver que agora tudo ficou evidenciado sobre a compra de votos tão repudiada e propagada, durante as eleições, pelos próprios compradores.

artigo de opinião por Luiz Moreira