POLÍCIA CIVIL SOFRE COM FALTA DE PESSOAL

Um levantamento divulgado pelo jornal mineiro Hoje em Dia trouxe à tona um déficit de pelo menos 7.746 servidores na Polícia Civil de Minas. Com isso, em todo o estado, os policias civis estão deixando de investigar crimes, atrasando o registro de ocorrências e retardando processos judiciais pelo grande volume de trabalho.

O efetivo previsto em lei para a Polícia Civil de Minas Gerais é de 17.517 funcionários, entre delegado de polícia, médico-legista, perito criminal, escrivão de polícia e investigador de polícia. Mas, hoje, o efetivo em atividade no estado é de apenas 9.771, um déficit de 7.746, 44,21%. O maior déficit é na função de investigador de polícia, que chega a quase 50%. O efetivo previsto em lei é de 11.301. Porém, na realidade existem 5.888 investigadores em atividade.

Para tentar resolver parte do problema, no dia 18 de setembro, o governador Fernando Pimentel determinou à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag) que adote as providências necessárias para a nomeação de 1.080 aprovados no concurso público para o cargo de Investigador de Polícia I.

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EM BARROSO

Hoje atuam na Polícia Civil de Barroso um delegado, dois escrivães e três investigadores, sendo que um está de licença e um atua nas questões de trânsito. Ou seja, a instituição conta com apenas uma pessoa para investigar os casos.

_MG_2566Há seis anos atuando em Barroso, o delegado Alexsander Soares Diniz afirma que a falta de pessoal também prejudica o trabalho aqui. “Barroso enfrenta sim uma falta de efetivo e isso reflete no trabalho da polícia civil na cidade, causando lentidão. Nove investigadores seria o mínimo necessário para um trabalho com mais rapidez e mais eficiência por parte da polícia civil na cidade”, afirma o delegado, que acrescenta que além do trabalho de investigador, os funcionários participam do plantão regionalizado, escolta de detentos e são responsáveis por entregar intimações.

Diniz conta que em casos simples, a polícia ainda consegue fazer o trabalho. Mas nos casos mais complexos, em que é necessário o trabalho de investigação na rua, é preciso aguardar auxílio de fora. “Às vezes São João del-Rei libera um policial para algum levantamento específico, mas não para ficar na cidade. Mesmo com a falta de investigadores, a Polícia Civil consegue de-senvolver um bom trabalho, mas poderia melhorar muito com o aumento do efetivo. Mesmo assim, em alguns casos o atendimento é imediato, como, por exemplo, o da lei Maria da Penha em que a atenção para a vítima e a investigação é 100% garantida”, afirma.

Um dos casos muito lembrado pelos barrosenses em que a falta de pessoal pode ter prejudicado na investigação da Polícia Civil é o do Crime da Cadeinha. O corpo da jovem Eloíza Fernanda da Silva, de 21 anos, moradora do Bedeschi, foi encontrado na rua que fica atrás do Hospital no dia 22 de dezembro de 2012. Quase três anos depois, ninguém foi preso pelo crime. “Nesse caso, além da falta de pessoal para se dedicar ao caso, sofremos com a falta de informações para descobrir o culpado”, explica o delegado.

Sobre a nomeação dos aprovados no concurso público, Diniz conta que sempre solicita concursados para trabalhar na cidade, mas, nos seis anos em que atua em Barroso, o pedido nunca foi atendido. “Os aprovados no concurso agora irão passar por treinamento. Em fevereiro ou março iremos saber se algum deles será nomeado para trabalhar aqui”, finaliza o delegado.