OLHAI POR ELES…

Entre outros assuntos, como sempre importantes e pertinentes que garantiram ao Barroso EM DIA o troféu de Melhor do Ano em 2014 como órgão de comunicação em Barroso, para mim a edição 144 teve máxima importância pela manchete da primeira página (repetida no título acima) com a foto dos assistidos pelo asilo N. Senhora de Fátima. Elucidativo por demais foi o texto da página 8, comentando as dificuldades econômico-financeiras da APAE, por enquanto superadas, e as do Asilo, que ainda dependem de solução. Entidades filantrópicas de assistência social, que dependem de repasses, nem sempre pontuais, de recursos do poder público; que precisam da colaboração de voluntários muitas vezes poucos e quase sempre pobres; que necessitam angariar alguns “tico-ticos” em barraquinhas e promover sorteios de prêmios (de receitas indefinidas), vivem causando sobressaltos nos seus administradores, porque as contas têm datas certas de vencimento, e os recursos…

A manchete “OLHAI POR ELES” deve nos alertar para a desagradável, mas não impossível, possibilidade de que qualquer dessas duas atividades sociais indispensáveis possam vir a se tornar inviáveis e e tenham que ser desativadas. As consequências para os idosos do Asilo, para os portadores de necessidades especiais da APAE,  para suas famílias e para os poderes executivo, legislativo e judiciário de Barroso serão traumáticas. Apenas para fundamentar esta minha suposição pessimista, cito dois dispositivos legais, um da Constituição Federal e outro da Lei Orgânica do Município. O artigo 203 da Constituição Federal preceitua: “A assistência social será prestada a quem dela precisar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I – a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice.” Já o artigo 128. parágrafo terceiro da Lei Orgânica reza: “O município estabelecerá, nos termos da lei complementar, normas específicas de atendimento à família, à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice, com ênfase no amparo às crianças e adolescentes sem recursos, bem como de habilitação e reabilitação dos portadores de deficiência.”

O apelo “OLHAI PARA ELES”  significa não um pedido de esmola, mas uma exigência cidadã de direitos garantidos pela legislação em vigor. E mais: para todos que se dizem cristãos e têm a Bíblia como orientação de vida (pregadores e ouvintes), vale lembrar que, segundo o Evangelho de Mateus, capítulo 25, versículos 34 e seguintes, todos nós seremos julgados com base na atenção que tivermos dado a quem tem fome, tem sede, aos peregrinos ou andarilhos, aos presos (não apenas em cadeias mas em cadeiras de roda). Se Jesus Cristo fez questão de curar cegos, surdos, mudos, paraplégicos, quem mais se enquadra nesses grupos de sofredores que os assistidos do Asilo e da APAE? São Tiago, em sua epístola diz que a fé (e as rezas) sem as obras é morta!

Por Paulo Terra