O eterno beijo do Capita!

Toda vez que você ver alguém beijando uma Taça, lembre que foi ele quem inventou este gesto.

O Brasil não, o mundo perdeu o líder, o capitão dos capitães. Mas ele vai e deixa eternizado na nossa memória dois lances que nem outras infinitas mortes apagarão. O gol que mais representa a palavra time na história do futebol mundial e o beijo mais romântico do esporte.

Não é da minha e talvez não seja da sua geração, mas e daí. A primeira Copa colorida da TV ganhou de presente não só às cores, mas os lances mais emblemáticos do Brasil em copas.

No caso do gol, é tão perfeito, mais tão perfeito, que até o campo, com seu morrinho

Copa de 70
Copa de 70

artilheiro, chegou a contribuir. Lá pelas tantas, entre tantas jogadas iniciais, uma jogada despretensiosa acaba em chute cruzado que está eternizado nas cucas pensantes de outras mil gerações, que até mesmo nem gostem de futebol. Até minha avó conhece o desfecho: “Quer ver o Pelé rolar aqui na direita?” E ele rola a bola que o Tostão desarmou de um adversário e entregou para Gérson que de primeira devolveu para Clodoaldo na intermediária brasileira. Ele se livrou de três rivais com dribles exagerados e passou para Rivelino no meio de campo, quase na linha lateral esquerda. Riva esticou para Jairzinho que jogava pela direita, mas que estava no lado oposto. Jair parte, como sempre partiu em diagonal, para a cabeça da área onde está Pelé que gira o corpo sem olhar toca para ninguém. Isso, ninguém! Não tinha ninguém ali, a televisão estava começando e o cinegrafista também desconfiou que Pelé houvesse errado. Mas Pelé não erra! O vazio do lado direito tinha, tem e sempre terá nome: Capita! Um chute cruzado, que mesmo hoje, diante de uma terça-feira cinzenta, ficou colorido e eternizado pelo lance que Carlos Alberto Torres marcou o gol contra a Itália na final da Copa de 1970. Gol que eu na vi, mas nunca mais vou esquecer.

Como se não fosse o bastante, depois de cravar na nossa memória aquele gol antológico, o Capita se tornou o primeiro a ter a ousadia, decência e paixão pelas conquistas. Ele foi o primeiro jogador de futebol a beijar a Taça e levantá-la em seguida. É dele a ideia de tocar os lábios no ouro e erguer. Ninguém, ninguém havia feito isso antes! O beijo, por sinal, na última disputa pela Jules Rimet, está no rosto de todos nós. Aquele foi o sinal do amor por vitórias e nós entendemos! Hoje, anos depois, mesmo longe dos gramados, tudo, tudo que conquistamos, queremos beijar. Porque? Porque o Capita nos ensinou a dar valor nas conquistas!

por Bruno Ferreira.

Assista o gol clicando aqui!