Notícias ruins e péssimas direto da Belíndia

A expressão Belíndia foi criada pelo economista Edmar Bacha nos anos 1970 para descrever a realidade brasileira. O país seria a conjunção da Bélgica, país pequeno e próspero, com a Índia, país imenso e pobre. Desde os anos 70, a nossa realidade social vem se transformando bastante, especialmente e com mais velocidade após a redemocratização e a Constituição de 1988.

A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) divulgada no último fim de semana, porém, revela duas notícias desagradáveis. A notícia ruim é que a dimensão das nossas fragilidades e deficiências segue sendo enorme. A notícia péssima é que deixamos de avançar em algumas áreas e pioramos em outras. As dificuldades para o futuro próximo são especialmente grandes para Barroso e para as cidades de mesmo porte.

Em pleno século XXI, o Brasil ainda possui 70 milhões de pessoas (mesma população da França) vivendo sem saneamento básico. Cerca de 20 milhões (mesma população da Austrália) vivem em situação de pobreza. São 104 milhões de pessoas (mesma população do México) com mais de 25 anos que possuem apenas o Ensino Fundamental completo e são 12,9 milhões (mesma população de Cuba) de analfabetos. As estatísticas estarrecedoras nos lembram de que ainda vivemos na Belíndia e de que falta ainda muito para deixarmos de viver nela.

A PNAD revelou ainda que a crise fez o país recuar em termos de renda per capita média, com perdas generalizadas para todas as classes sociais. Após 11 anos de crescimento contínuo, a renda média do brasileiro recuou de R$1 mil e 950 para R$1 mil e 853. Nesse período, 3,6 milhões de brasileiros que haviam escapado da pobreza retornaram a ela. Os dados da PNAD são para o ano de 2015 e a expectativa é de que o cenário tenha piorado ao longo do ano de 2016.

O caso de Barroso não é diferente, pois as crises econômicas nacionais atingem o município de múltiplas formas. A cidade precisará lidar com uma redução de repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) que deve atingir principalmente os menores municípios e aqueles que mais dependem dessa fonte. Haverá ainda o impacto decorrente da redução do ISS (Imposto Sobre Serviços), uma vez que a Indústria do Cimento é, ao mesmo tempo, a principal dinamizadora da economia local e uma das mais impactadas pela crise nacional.

A redução do poder de compra do Bolsa Família é também um fator de preocupação, já que reajuste e inflação não caminham pari passu [no mesmo ritmo].

Em 2015 (ano da PNAD) a inflação foi de 10% e não houve o reajuste do benefício. O cenário, portanto, é desolador e vai exigir o esforço máximo dos governantes que assumirão esse “legado”. A Belíndia também é aqui.

por Antônio Claret