Mineira que lutava para receber remédio do Estado morre após seis anos esperando decisão

lcirene de Oliveira aguardou por quase seis anos por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe garantisse o direito de receber um medicamento de alto custo.

No processo, a mineira requeria o direito de receber do Estado o medicamento Mimpara 30 mg (Cinacalcet), de alto custo, que ajudava a controlar graves sintomas decorrentes do caso de insuficiência renal crônica.

Em 9 de dezembro do ano passado, Alcirene morreu, aos 39 anos, e o processo sequer tem previsão de ser julgado, segundo a Corte.

De acordo com a assessoria do órgão, “será necessário aguardar a manifestação do ministro Marco Aurélio”, que é o relator, a respeito do andamento do caso a partir da notificação da morte da mineira.

O caso é um dos dois que vão definir os parâmetros para julgamento de outras centenas de processos semelhantes que tramitam no STF.

G1 conversou com Rosielle Oliveira, sobrinha de Alcirene. “Ela era uma mulher muito guerreira, quem a conheceu sabe disso”, resumiu.

Guerreira

A história de Alcirene de Oliveira ficou conhecida nacionalmente em setembro de 2016, quando ela deu entrevista ao Fantástico, da TV Globo, explicando a importância de receber o remédio para a doença dela e relatando como era a luta diária pelos direitos que buscava.

Em Juiz de Fora, Alcirene era uma das pessoas mais atuantes na Associação dos Doentes Renais Crônicos. Segundo a sobrinha dela, Rosielle Oliveira, inicialmente nem todos da família sabiam da trajetória para que a tia conseguisse o remédio. Para a reportagem ela disse que não se sentia nem à vontade para se manifestar especificamente sobre o caso, já que não tinha informações acerca disso.

Contudo, Rosielle comentou sobre os piores e mais difíceis momentos da tia, quando ela estava internada no Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), no Bairro Santa Catarina, e o quadro de saúde se agravou.

“Ela não estava mais respondendo aos tratamentos. Foi ficando muito debilitada, perdeu peso. Nesta luta, ela ainda teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), entrou em coma, teve duas paradas cardíacas, ficou entubada. Os médicos que a acompanhavam há muito tempo destacaram que ela tentou até o fim, mas estava sofrendo muito”, contou Rosielle.