Luciano Napoleão estreia como colunista. A esquerda a deriva. Leia!

Estreio aqui neste espaço uma coluna, que deverá ser mensal, onde procurarei abordar assuntos diversos como política e atualidades, assuntos do momento, que estejam provocando discussões e comentários nas redes, nos informativos e na sociedade.

Primeiramente agradeço ao Bruno pelo convite, externar a honra de poder ter um espaço neste veículo de comunicação tão prestigiado em Barroso e região. Dois temas sempre me são recorrentes: Política e Barroso. Desde já peço licença e paciência do chefe e dos leitores se acaso estes assuntos forem abordados repetidas vezes. Mas deixo aberto aqui e nas redes socais para sugestões e críticas. Para iniciar, abordo um tema importante e abrangente que tende a mexer com a vida de todos os brasileiros nas próximas décadas.

À esquerda a deriva

O assunto que movimenta o noticiário nacional são as reações da esquerda brasileira ao Impeachment de Dilma Roussef que culminou com o fim da era Lula, seguido do estrondoso fracasso do PT nas urnas nas eleições municipais, jogando o partido de volta aos números da década de 1990, onde engatinhava e era apenas a décima segunda força partidária nacional.

Reações que se mostram nos embates no congresso nacional perpetrados mais pelas forças auxiliares petistas, como PSOL e PCdoB, do que pelo próprio Partido dos Trabalhadores. Reações nas redes sociais com postagens criticando os projetos colocados pelo Presidente Temer e sua base de apoio no congresso, na maioria das vezes distorcendo os fatos e os teores dos projetos, fazendo-os parecer contrários aos anseios da sociedade, como a PEC 241 que limita o teto de gastos da máquina pública ou o da previdência que altera o limite de idade para aposentadorias.

Projetos importantes e prementes para a recuperação da confiança na economia do país e para por o Brasil de volta no rumo do crescimento sustentado, juntamente com outros que estão por vir como o trabalhista, fiscal, político e de diminuição do Estado.

Em análise, estas reações desnudam na verdade a falta de discurso da esquerda brasileira, que viu seu projeto populista de poder ser tragado pela sanha corrupta da maioria de seus membros, o que não demorou a levar ao divórcio litigioso com a sociedade brasileira, principalmente com os mais carentes, que tinham no assistencialismo dos governos petistas seu amparo.

A mostra desta virada foi a acachapante vitória do empresário João Dória – homem milionário –  a prefeitura de São Paulo já no primeiro turno, inclusive no outrora chamado cinturão vermelho, como era chamada grande parte da periferia da cidade, onde o PT era o dono dos votos por várias eleições.

Isso vem mostrar que não há monopólio político sobre as classes baixas. FHC com o Plano Real e Lula com assistencialismo são exemplos acabados de diferentes modelos que experimentaram o carinho e a fidelidade eleitoral das massas, para depois vê-las se desiludir.  Ao fundo e ao cabo o povo quer é melhorar de vida. Como já dizia o falecido carnavalesco Joãozinho Trinta, o povo gosta é de luxo. Quem gosta de pobreza é intelectual.

A esquerda brasileira hoje já não consegue fazer os pobres do Brasil querer o que eles querem que eles queiram!

Estão perdidos e tentando achar um caminho e um discurso para serem ouvidos e novamente acreditados em seus propósitos. O pouco que resta para a esquerda brasileira, até que o atual governo reaja nesta seara, é a reação militante de sindicatos e universidades públicas, onde o trabalho de aparelhamento de vários anos ainda faz brotar arroubos intelectualóides e manifestações manietadas por UNE e partidos auxiliares.

Em breve, a era do bolivarianismo que varreu o cone sul só será lembrada como mais uma triste página populista que jogou a região no atraso e fez, mais uma vez, da América Latina chacota mundial.

Por outro lado, o atual momento nacional levou à orfandade política grande parte da sociedade, que não se vê representada pela atual classe política, independente da agremiação partidária. Veem todos os políticos como farinha do mesmo saco. Não sem razão, uma vez que nomes de todo o espectro ideológico pululam em denúncias e investigações realizadas por órgãos de justiça, amplamente divulgadas pela imprensa.

Este estado de coisas levou a índices inéditos de “não votos” (brancos, nulos, não votantes) nas eleições deste ano.  O resultado deste movimento, já estudado em outros momentos, no Brasil e no mundo, pode dar margem a dois fenômenos: o surgimento de partidos que forjam em seu estatuto programas de vão de encontro aos anseios desta nova sociedade, onde dou como exemplo o Partido Novo, com um programa moderno e plural, que surge como alternativa à velha maneira de fazer política baseada na corrupção entre empresários e caciques políticos.

Outro fenômeno, este profundamente deletério e repudiável, movimentos personalistas que levam ao surgimento de um salvador da pátria, trazendo consigo um discurso salvacionista, diferente de “tudo que está ai”, que, ao fim e ao cabo, termina onde tudo começou, na desesperança!

Deus salve o Brasil!

por Luciano Napoleão

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