O enredo é típico da maioria dos sonhos dos brasileiros, ou seja, em resumo profundo: uma boa “pernada” no governo. É o que, infelizmente ou felizmente, a maioria de nós brasileiros sonhamos.

Quem nunca?! Essa é a pergunta!

Indignados com as mazelas políticas e cansados de ver os engravatados nos roubando, seja na cueca, na conta de luz, água, IPVA e até no etc, nós brasileiros, nos realizamos quando aqueles mascarados de macacões vermelhos invadem a Casa da Moeda da Espanha.

Porque não é aqui no Brasil?

De alguém ou de alguma forma, qualquer um quem tenha assistido a série da Netflix fez ou ouviu essa pergunta: Porque não é aqui no Brasil?

Ah vá… quem de nós não quis ser, nem que seja por alguns segundos, o Professor, um dos protagonistas responsáveis pelo “roubo”. Sim, entre aspas, porque como muitos gostam de dizer, na verdade, eles não roubam, fabricam o próprio dinheiro pegando “emprestado” os profissionais, o papel e algumas máquinas da Casa.

Plano perfeito? Nem tanto, quem acompanha a série que é nota 10, vibra, se emociona e principalmente torce. Isso… torce muito, como se fosse um jogo de futebol!

Sem tirar um tostão de alguém, eles ganham a opinião pública, que mesmo sendo na Espanha, na China ou em Marte, também teria vontade de “dá lá” uma pernada no Governo.

Mas até onde vai os nossos princípios? Está certo torcer pelos bandidos? Temos que ter limites? E a ética? E a lei?

Modinha, ética e até o respeito de lado, vá lá, confesse, você também torceu para a Rio voltar para a Casa ou o Professor concretizar o “roubo”.

E não se sinta culpado (a)… Como a própria série aborda, se trata da Síndrome de Estocolmo, nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor.

Estranho, de amedrontar, errado, certo, ação, drama, sexo, dinheiro…? Não importa, o fato é que nós brasileiros queríamos que fosse na La Casa de Papel do Brasil!

Confessa, vai!

por Bruno Ferreira.