Inep adia provas do Enem até em campus não ocupados da UFSJ

Campus Tancredo de Almeida Neves (CTan) da UFSJ / Foto do facebook

 

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciou na segunda-feira (01) que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será adiado em escolas e universidades ocupadas por estudantes, que protestam contra a PEC 241 e a reforma do Ensino Médio.

Os exames serão realizados neste final de semana, sábado (05) e domingo (06) em todo país. Para os inscritos que tem o local do exame em uma escola ocupada, a data foi adiada para 3 e 4 de dezembro.

Segundo o Inep, 126 municípios ainda têm escolas ocupadas, representando 304 locais de prova. A medida afeta 191.494 dos 8,7 milhões de estudantes inscritos para o exame. Minas Gerais tem mais de 900 pontos de aplicação do Enem e, destes, 59 estão ocupados. São 42.671 estudantes afetados pela decisão no estado.

Ministério Público Federal do Ceará entrou com uma ação civil pública para suspender o exame deste fim de semana para todos os 8,6 milhões de candidatos. A ação pede a suspensão do Enem porque considera que adiar as provas para um grupo de pessoas pode ferir a isonomia do exame, ou seja, não oferecer as mesmas condições a todos os candidatos.

 

Provas adiadas em locais não ocupados

Na região de Barroso, as provas foram adiadas na Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), em que a reitoria do campus Santo Antônio, na região central da cidade, está ocupada desde o dia 24 de setembro.

Porém, a lista divulgada pelo Inep (veja a lista completa de locais com provas adiadas) mostra que campus não ocupados na UFSJ também tiveram as provas adiadas. É o caso Campus Dom Bosco e Campus Tancredo de Almeida Neves (CTan), que iram receber 3434 estudantes para o exame.

O “erro” do Inep ao adiar a Enem em locais não ocupados chamou a atenção de internautas.

 

Inep não aceita acordo com estudantes de MG

Além do adiamento das provas em locais não ocupados, o Inep não reconheceu o acordo feito entre os movimentos estudantes com a Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais, o Ministério Público e deputados para que as escolas ocupadas pudessem receber o Enem com tranquilidade neste final de semana.

O Inep afirmou que não recebeu qualquer notificação sobre o acordo firmado em Minas Gerais e, reforçou, nesta quarta-feira (2), que o Enem segue adiado nos 59 locais de prova afetados no estado. Segundo o instituto, o prazo para a desocupação era as 23h59 do dia 31 de outubro e o descumprimento da data impede a realização das provas nestes sábado (5) e domingo (6).

 

Nota de repúdio

O movimento estudantil que ocupa a reitoria da UFSJ no campus Santo Antônio publicou, na quarta-feira (02), uma nota de repúdio à decisão do adiamento das provas. Leia na íntegra:

O movimento OCUPA UFSJ, reunido em assembleia, vem a público manifestar seu repúdio à decisão do Ministério da Educação de adiar as provas do Enem que seriam realizadas nos campi da universidade. Entendemos a decisão do MEC como injusta. Não houve qualquer notificação à Reitoria da UFSJ ou ao movimento de ocupação, e as tentativas de diálogo estabelecidas tanto pelo movimento de ocupação, quanto pela reitoria, foram desconsideradas. Em momento algum nos posicionamos de maneira contrária à realização das provas: Estávamos em contato com a Reitoria e em negociação direta com a Coordenação Municipal do Enem e a Copeve, a fim de encontrar uma solução pacífica ao problema, sem prejudicar os estudantes que realizarão a prova. Não bastasse isso, estamos propondo atividades voltadas a todos que realizarão a prova na cidade. Essas acontecerão no campus Santo Antônio, o único ocupado em SJDR, que nos dez dias de ocupação não teve seu funcionamento prejudicado. Estamos convictos que o adiamento das provas em todos os campi da UFSJ na cidade é precipitado e arbitrário.Reconhecemos a importância do Enem como mecanismo de acesso ao ensino superior no país, pois somos um movimento que luta pela garantia do ensino público, gratuito e de qualidade a toda população. Entendemos que as recentes medidas do governo põem em risco a garantia deste direito, previsto em nossa Constituição.

São João del-Rei, 02 de novembro de 2016