Idosa morre e família denuncia médico de hospital em Santos Dumont

Parentes de uma idosa de 61 anos denunciaram um médico da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Misericórdia de Santos Dumont, na Zona da Mata, por demora no atendimento na madrugada desta quinta-feira (13). De acordo com o registro da Polícia Militar (PM), a família de Maria de Fátima Lucas de Oliveira alegou que o médico negou atendimento no pronto-socorro do hospital dizendo ser médico da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Porém, mais tarde ele fez o atendimento após ouvir dos policiais que poderia responder por omissão de socorro. A idosa chegou ao hospital com insuficiência respiratória e morreu dez minutos após receber o atendimento, segundo a PM.

A Polícia Militar acompanhou o desfecho da ocorrência registrada como “outras infrações contra a pessoa”. O nome e idade do médico não foram informados ao G1. A ocorrência será encaminhada para a Polícia Civil e a direção do Hospital de Misericórdia informou que o caso será apurado internamente.

O delegado do Conselho Regional de Medicina, José Nalon, explicou que ainda não há denúncia formalizada sobre este caso. No entanto, a princípio, médicos de UTI não podem deixar o posto sob pena de punição.

O caso
Maria de Fátima foi levada pelos filhos para o Hospital de Misericórdia por volta de 1h da madrugada desta quinta-feira. De acordo com o filho dela, Eduardo Antônio Nascimento, eles ficaram cerca de uma hora pedindo socorro e providências.

“Imploramos por socorro, pedimos maca e colchão para ela que foram negados. Os funcionários só deram suporte depois que a PM chegou. Ligamos para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas eles explicaram que não poderiam vir porque ela estava no hospital. Minha mãe passando mal, a gente procurou o pronto-socorro, era nossa única opção e quando chegamos aqui, foi negado socorro”, lamentou.

Segundo Eduardo, os familiares foram informados de que só havia o médico da UTI e que ele se recusou, na frente de testemunhas, a atender a idosa. “Eles alegaram que no momento só estava o médico da UTI, que se negou o tempo inteiro a dar socorro à minha mãe. Ele fez isso na frente dos policiais e até de algumas pessoas que acompanhavam um velório aqui perto. Independentemente de estar só ele ou não, eu acho que ele deveria socorrido. Quando ele caiu em si era tarde. Minha mãe não resistiu”, afirmou.

De acordo com o resumo do registro da PM, a idosa apresentava insuficiência respiratória. Os enfermeiros fizeram os primeiros atendimentos diante do “estado gravíssimo” e relataram à PM que fizeram vários contatos com o médico da UTI, que se negou a atender a solicitação, alegando ser médico da Terapia Intensiva e não do Pronto Socorro.

Na ocorrência consta que os policiais militares tentaram convencer o médico, que novamente negou atendimento, mesmo sendo reforçado que a idosa aparentava um quadro grave e que se ele negasse atendimento, poderia ser enquadrado por omissão de socorro. Em seguida, o médico encaminhou a idosa à sala de emergência, depois retornou e disse que a paciente iria morrer se não fosse transferida para Juiz de Fora. A idosa morreu 10 minutos depois, segundo a polícia.

Apurações
O diretor administravito do Hospital de Misericórdia, Marcelo Feliciano Costa, disse que será aberta uma sindicância nesta quinta-feira para avaliar na comissão de ética interna os procedimentos adotados pelos funcionários no atendimento e apurar a responsabilidade administrativa para as medidas cabíveis. O G1 questionou sobre a existência de médico para o atendimento do pronto-socorro e aguarda resposta.

O Delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM) José Nalon destacou que o caso pode ser denunciado por familiares e analisado pelo CRM. No entanto, sem emissão de juízo de valor sobre a situação específica, ele lembrou que o médico de UTI não pode se afastar do setor.

“Se o médico sai do posto original de trabalho, mesmo que seja para beneficiar outra pessoa e houver algo com algum dos pacientes, ele se torna responsável. Temos uma falha no sistema de saúde porque o hospitais precisam ter alguém no pronto atendimento e emergência para estes atendimentos”, lembrou.

Informações G1