Este tal de basquetebol americano é ridículo

Ridículo

Antes que algum desinformado atire a primeira pedra, ridículo, apesar de toda significância já conhecida, quer dizer ainda extraordinário ou algo do tipo. O bordão foi imortalizado pelo ótimo narrador da ESPN, Everaldo Marques que quando, imagino eu, não encontrou adjetivo, substantivo ou superlativo para uma jogada de algum astro da NBA, usou a palavra ri-dí-cu-lo, assim soletrada e caridosamente. E pronto! Toda a ridicularização ganhou outro tom, bem mais ameno e afetuoso que o próprio ridículo.
E o basquetebol americano é de fato ridículo, para não dizer horroroso. E isso desde os tempos de Larry Bird, Michael Jordan e Shaquille O’Neal. Os caras que mais parecem robôs, máquinas ou algo do tipo, foram feitos para jogar em alto nível. Esplêndido, ouridículo mesmo.
Seja modinha ou não, acompanhar os jogos finais das conferências é algo que ganha cada vez mais adeptos e fãs no Brasil. E o melhor, a cada ano, um exemplo e um aprendizado diferente com estes ciborgues do esporte americano.
Se no ano passado os Warriors deixaram escapar ou Lebron foi buscar a virada histórica, este ano Kevin Durant, Curry e companhia só não fizeram chover nos céus da Califórnia. Esplêndido e ridículo, de novo.
Mas o que mais me chama atenção é a forma como estes jogadores, sem exceção, se entregam nos jogos. A maneira como eles se dedicam e competem. Desde a concentração estampada nos seus rostos, até o estilo americano e sarcástico de comemorar e olhar no telão. Eles parecem ser perfeitos, ou ridículos.
Não é babação ou bajulação, é reconhecimento mesmo pela maneira como conduzem e valorizam uma competição.
Mas a maior prova da ridicularização das finais veio no abraço final entre Lebron James e Kevin Durant. Ambos trocaram de equipe recentemente e foram cobrados de forma austera e impiedosa.
A maneira como Lebron caminha para cima de Durant antes do apito final é algo que dá medo. Para quem não conhece, ou não os conhecem, e tendo ainda espírito de porco, imaginaria que ali começaria uma briga. As mãos se batem, fortes, os peitos e os olhares se encontram e cruzam. O sangue no olhar, que é comum na competição, se esvai e para no coração dos gigantes que também são seres humanos. É o reconhecimento que espairece entre as estrelas da NBA. “Ontem eu fui melhor, hoje é você”. Simples assim, com a cabeça erguida, os caras, em poucos segundos, entendem e processam que perderam e a vida continua.
A sensação que nos sobra, entre os cobertores da noite gélida, é essa: Ainda temos que evoluir muito, seja como atletas, seja como seres humanos.
O Poeta Everaldo Marques tem toda razão:
Este basquetebol americano é ridículo

Por Bruno Ferreira