ENTIDADES FILANTRÓPICAS: APAE NO VERDE E ASILO NO VERMELHO

Duas das maiores entidades filantrópicas da cidade vivem, aparentemente, momentos financeiros opostos. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e o Lar Nossa Senhora de Fátima, o asilo, se unem quando o assunto é solidariedade, mas se dividem quando se trata de números, ou seja, quando o assunto são prestações de contas, as situações são bem diferentes. De um lado, um Asilo, acurralado em uma situação financeira cada vez mais adversa, do outro, uma APAE que vem demonstrando se afastar cada vez mais do sinal vermelho. Pelo menos é o que mostram os últimos números divulgados pelas entidades. Enquanto o Asilo apresenta um déficit financeiro, a APAE parece respirar e lutar para esquecer os problemas do passado, focando em um choque de gestão que vem dando resultados.

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Encontro de carros de boi 2015

Além da aquisição de um ônibus 0KM para os alunos, doado pelo governo através do Deputado Federal Eduardo Barbosa (PSDB), com contrapartida do Executivo Municipal, e da quitação da dívida trabalhista no mês passado, a APAE divulgou a arrecadação durante o 2º Encontro de Carros de Boi, que aconteceu entre os dias 28 e 30 de agosto, no Parque de Exposições, com shows, desfile de carros de boi, leilão e show de prêmios. Segundo os números divulgados pelo Presidente, Baltazar Aparecido dos Santos, durante o evento, a entidade arrecadou R$31 mil. Descontando os R$8 mil com gastos diversos, a entidade ficou com um saldo total de R$23 mil em apenas três dias de evento. “Quando assumimos, infelizmente ou felizmente, tivemos fazer algumas mudanças que ao longo do tempo surtiram efeitos. Lamentamos as demissões, mas precisávamos deste choque de gestão”, diz o presidente que garante que a Associação está em dia com suas contas e não apresenta nenhum déficit.

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Idosos do Lar Nossa Senhora de Fátima, o Asilo

Do outro lado da moeda, aparece o Asilo. Uma das mais antigas entidades filantrópicas da cidade corre o risco de fechar as portas. Fundado em 1976, o Lar, que pertence ao Instituto Nossa Senhora do Carmo, que também administra o Hospital Macedo Couto, tem hoje um déficit mensal na casa dos R$60mil. E segundo a administradora Lucimara Costa Ferreira, a Lucinha, a conta é fácil. “Um idoso custa hoje para o Asilo, uma média de R$2 mil com alimentação, água, luz e despesas com profissionais capacitados. Para arcar com este valor, o Lar conta com a contribuição dos familiares dos idosos de R$788, mais a subvenção municipal e federal, que totalizam uma receita de cerca de R$965, evidenciando assim um déficit mensal de R$1mil e 034 por idoso”, explica Lucinha. Com base nestes dados, fica fácil chegar ao déficit mensal da instituição que é de R$ 60 mil, ou seja, basta multiplicar o números de idosos, que hoje é de 58 x 1.034, total de cerca de R$60 mil.

“Até hoje é possível afirmar que o Lar Nossa Senhora de Fátima está com as portas abertas, graças às doações da população e às campanhas feitas pela administração, funcionários e voluntários, mas, a persistir o déficit, dificilmente o Lar conseguirá prestar seus serviços aos idosos que lá residem e nem tão pouco poderá abrir as suas portas para outros idosos que estão necessitando de  acolhimento”, desaba a administradora que explica que até pouco tempo as instituições que cuidavam de idosos eram chamadas de Albergue ou Asilo de idosos, pois apenas ofereciam alimentação e dormitório. “Hoje a situação mudou e o cuidar do idoso se tornou mais abrangente. As ILPIs (Instituição de Longa Permanência para Idosos), como hoje são chamadas, tiveram que se adequar às leis vigentes no que tange à estrutura física e de recursos humanos, como equipe multiprofissional com médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, nutricionista e assistente social.

Recentemente o Asilo divulgou um total de receita arrecadado em seis meses. Foram R$562.714,14, com um total de despesas operacionais de R$651.620,48, o que gerou um déficit, ou seja, uma dívida de R$88.906,34 até o momento. Na receita, estão listadas contribuições recebidas pelo Lar de Idosos, atividades beneficentes, campanhas, doações, subvenções, entre outros. Nas despesas estão os salários dos servidores, medicamentos, materiais, taxas e outros.

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BARRACA DE SANT’ANA

Para piorar a situação do Asilo, a arrecadação da barraca durante a Festa de Sant’Ana, que acontece no mês de ju-lho, caiu consideravelmente. De acordo com os números, a arrecadação deste ano foi 60% menor em relação  ao ano passado. Em 2014, o total arrecadado, descontadas as despesas, foi de R$ 28.514,48. Já este ano, a arrecadação líquida foi de R$ 11.452,49.

A diferença chegou a R$17.061,99 em apenas um ano. Uma das possíveis causas da grande queda da arrecadação pode ter sido a  não comercialização de bebidas alcoólicas. O Bispo Diocesano, Dom Frei Célio de Oliveira Goulart, recomendou às Paróquias da região  que não fossem comercializadas bebidas alcoólicas nas barraquinhas administradas por instituições durante as festas religiosas das cidades. A sugestão foi aceita pelo Lar de Idosos que não vendeu aquele tipo de bebida na barraca durante a festa.

De qualquer forma, como plano de ação, a entidade está planejando um grande sorteio de prêmios, que será realizado no CECLANS, com o apoio da Prefeitura, uma vez que o dia e o horário disponibilizados para que o evento ocorresse na Exposição inviabilizaram sua realização.

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