Ele correu, correu, mas nós o encontramos!

Tinha um garoto, rápido, que em um exercício com os braços, nos movimentos de cima para baixo e de baixo para cima, deixava “um bri-lho” os sapatos das autoridades barrosenses. Se estivessem vivos, os donos dos pés brilhantes da década de 60, como Artidônio e Geraldo Napoleão, poderiam confirmar o fato. Mas o brilho dos “pisantes” das autoridades refletiu no menino franzino que até então se instalava em frente ao Bar do Senhor Zizinho e a agilidade dos braços do engraxate adentrou as pernas e invadiu a adolescência da  1970.
TEMPOS VITORIOSOS
por-onde-anda-edmilson-3Os obstáculos do Professor Moreira, que contornava a Praça, foram os primeiros a serem superados e a equipe da qual o menino fazia parte ganhou destaque na região no quesito atletismo. Era a turma do Colégio Municipal mostrando seu valor nas viagens de Kombi que o Senhor Sil conduzia em busca de medalhas e troféus que elevavam o nome de Barroso.
Contudo, o colégio ficou pequeno e a Escola de Cadetes do Ar, de Barbacena, abriu os braços para o agora jovem que cada vez mais se profissionalizava quando o assunto eram as corridas rústicas e as Olimpíadas Militares. Ao lado de Simone, Luiz Carlos Scari, Tuim e tantos outros, Edmilson da Silva, morador do bairro Santa Maria, aluno da Professora Leila Souza e também coroinha, fez história no atletismo barrosense: onde passava deixava uma lição e a invencibilidade no município.
Entre tantas competições, destaque para a equipe comandada por João Lopes, que disputou os Jogos Escolares em Viçosa e a Volta da Pampulha. Junto do talentoso Briozo e de Mauro Coelho, Edmilson fez história e amigos no atletismo como Júlio César Dutra, Márcio e Maurício Carrara, Gerinho, Dadai, Tatá, Pepeca, Peitão e Wesley. Uma vida entre disputas, experiências, como treinador do Barcelona de Barroso, e até mesmo como  repórter da Rádio Correia da Serra de Barbacena, cobrindo o Montanhês. Essa é parte da história do vitorioso Edmilson que, entre as subidas e descidas do Santa Maria, colecionou quilômetros e amigos de uma época de ouro do esporte barrosense.
E POR ONDE ELE ANDA?
por-onde-anda-edmilson-2Edmilson hoje mora em São Paulo. Nada nem ninguém escapa aos nossos olhos. O filho do falecido Otacílio e da dona Deila Aparecida da Silva é dono de uma Microempresa na área de segurança em São Paulo. Na terra da garoa, além de morrer de saudades de Barroso, Edmilson, casado com Luzia, já é pai e avô de quatro netos.
Quando a vida lhe permite, o neto da dona Olívia Parteira, faz o que ainda sabe, conjuga o verbo correr e corre para a terrinha do cimento para rever os amigos, as irmãs, a mãe e toda a família. Aqui, em ritmo bem mais tranquilo do que nos tempos de disputa acirrada, ele dá novas voltas em volta da Praça que um dia contornou correndo, relembra os tempos do Irmã Magdaline e do Francisco Antônio Pires, sente saudades da Minas Caixa e da Fábrica, locais onde trabalhou, e, no âmbito do seu desejo, estuda uma forma de retornar e contribuir com o esporte da nossa cidade.
Volte, Edmilson! Barroso precisa de pessoas como você! Obrigado por ajudar a escrever nossa história!