DEPOIS, COMO SERÁ A BR265?

Desde as informações iniciais, primeiro da eventual possibilidade; depois, da confirmação de que a então Holcim decidira que o Projeto Expansão seria concretizado na fábrica Barroso, com um investimento previsto de 1,4 bilhão de reais, tenho acompanhado a evolução do empreendimento através dos Comitês com a Comunidade (trimestrais) e das informações publicadas pelas 16 edições do informativo Notícias da Expansão. Lembro-me que o Gerente de Fábrica à época do início do projeto e ao longo dos vários meses de sua realização até fevereiro deste ano, teria afirmado que o cronograma das obras estimava uma duração de cerca de 30 meses entre seu começo e a conclusão, ou seja, a partir da presença dos 8 primeiros funcionários da Mendes Júnior em maio de 2012, com um efetivo total de mais de 3.200 funcionários no pico da obra, os novos moinho de cimento e forno poderiam já entrar em operação normal a partir do segundo semestre de 2014. Não foi o que aconteceu. De acordo com gráfico publicado na página 5 do Notícias da Expansão, de dezembro de 2014, a desmobilização total do efetivo de funcionários da Mendes Júnior aconteceria em julho de 2014. Também essa projeção, pelo visto, falhou.

A mim, como sapo de fora, embora tenha gratas lembranças dos meus 38 anos de trabalho na fábrica Barroso, não cabe cogitar que percalços técnicos ou administrativos provocaram as derrapadas dos cronogramas. Até porque na edição 16 do informativo já citado, de setembro deste ano, o Diretor do Projeto Expansão da, agora, LafargeHolcim, “tem a satisfação de anunciar a conclusão de 93% da nossa ampliação”. Todavia, para nós barrosenses, fica a dúvida de quanto tempo ainda será necessário para conclusão dos 7% restantes. Não sou um técnico, mas a vivência por quase 4 décadas na cimenteira me ensinou bastante coisa sobre o assunto.

A minha preocupação como barrosense é o depois de a nova fábrica começar a produzir: COMO SERÁ A BR265? Sabemos que a produção da Barroso será triplicada, 300 veículos atualmente escoam a produção; esse número passará para 900. A produção triplicada exigirá aumento proporcional de veículos trazendo escória, combustíveis, gesso e eventuais outros insumos. Ou seja: a BR265, cujos projeto e traçado são praticamente os mesmos da metade da década de 1650, e cujas obras de arte (pontes longas e curtas) ainda são as originais do tempo da inauguração, terá condições de suportar um volume de tráfego mais que triplicado, sem um consequente aumento proporcional de acidentes, de desgaste do piso asfáltico, do considerável acréscimo do tempo de permanência dos veículos na estrada até poderem acessar a BR040 ou a BR381? A resposta do Superintendente Regional do DNIT aos vereadores Eduardo Pinto e Fernando Terra, que foram pleitear a duplicação, foi que a rodovia não tem volume de tráfego que justifique a obra. Quem sabe a união das duas maiores produtoras mundiais de cimento – LafargeHolcim – não é capaz de mostrar a esse superintendente a insanidade da resposta que deu aos nossos vereadores. Será que essa união não voltaria a estudar o projeto, descartado (talvez por interesses políticos) quando da ampliação da Unidade II Barroso, de construção do ramal ferroviário de bitola larga de Barroso a Antônio Carlos?

 

Por Paulo Terra