DÁ PARA ACREDITAR?

_MG_0172Para os barrosenses que, eventualmente, não tomaram conhecimento da notícia publicada no número 142 deste jornal, sob a manchete acima, é oportuno um ligeiro comentário sobre o assunto. Barroso EM DIA noticiou que “barrosense encontra pitucas de cigarro dentro de garrafa de KS Coca-Cola”. O corpo da matéria esclarecia que o advogado Gian Brandão, num festivo encontro familiar, na presença de testemunhas, constatou a existência de de duas pitucas de cigarro e de “algo que aparentava ser papel de bala” no fundo de uma garrafa ainda com o lacre da fábrica, que fazia parte de lote de garrafas de um engradado comprado num supermercado de Barbacena.  Daí a pergunta da manchete: DÁ PARA ACREDITAR?

CLARO QUE DÁ. Primeiro porque o Barroso EM DIA é um jornal que faz questão de só publicar notícias verídicas. Segundo, porque o Dr. Gian Brandão é um advogado competente, responsável e de renome, que não se prestaria para simular uma farsa. E, terceiro, porque não são poucos os profissionais de saúde que fazem restrição ao uso do refrigerante em questão, cuja fórmula é secreta, que é fabricado com ingredientes misteriosos, tanto que muitos garantem que o consumo frequente da bebida pode gerar dependência, como ocorre com outras drogas. De qualquer modo o advogado já formulou reclamações junto ao representante comercial do fabricante. Não conheço o processo industrial de produção do refrigerante. Mas, como em todo processo de fabricação de um produto industrial, por mais automatizado que seja, há sempre um ponto fraco que pode ser usado por um funcionário insatisfeito que deseje sabotar o produto final, com a inserção de pitucas de cigarros ou outros elementos de rejeito do seus sistemas digestivo, respiratório ou urinário ou prejudicar algum chefe com o qual não simpatize.

A propósito, lembro-me de um episódio publicado em 1945, final da II Grande Guerra. A notícia dizia que havia sem São Paulo um restaurante muito frequentando por estudantes universitários, que eram servidos por um garçom japonês. A rapaziada vivia torrando a paciência do garçom devido à sua nacionalidade. Depois que as bombas atômicas arrasaram Nagasaki e Hiroshima, os estudantes chamaram o japonesinho para lhe dizer que não mais lhe encheriam a paciência. E o garçom, muito humilde, com voz mansa, declarou: “Bom, muito bom. De hoje em diante nunca mais vou cuspir na sopa de vocês!” Será que na grande Coca-Cola não existe algum descontente colocando ingredientes estranhos em garrafas?

Por Paulo Terra