Cadeia Pública de Barroso será transformada em Presídio

A Cadeia Pública de Barroso, hoje sob responsabilidade da Polícia Civil, será assumida pela Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap). O processo, com previsão para ser concluído até dia 21 de março de 2017, resultará em mudanças como o nome dado ao local que abriga os presos, que passará a ser chamado de Presídio de Barroso.

As informações foram confirmadas pelo Diretor Geral do Presídio de Congonhas e Diretor Chefe dos Presídios da Seap da 13ª Região Integrada de Segurança Pública, Senhor Leonardo Mattos Alves Badaró. “Trata-se de cumprimento à ordem judicial nº 2973417-32.2011.8.13.0024, onde houve a determinação para que a Seap assumisse todas as Cadeias Públicas do Estado de Minas Gerais que ainda se encontram sob à administração da Polícia Civil. Dessa forma, foi estipulado um prazo para cada uma”, afirma.

Na região, além de Barroso, outras cinco cidades passam pela mesma mudança. Em Resende Costa a Cadeia Pública já foi assumida e, em Prados, foi assumida e desativada. O prazo para que o processo seja concluído em Carandaí, Entre Rios de Minas e Andrelândia é o mesmo que em Barroso, março do ano que vem, podendo ser antecipado ou não.

BARROSENSES PREOCUPADOS

A notícia da instalação de um presídio onde hoje é a Cadeia de Barroso, anexa à Delegacia da Polícia Civil, não agradou em nada a maioria dos barrosenses.  Foi para lutar contra o projeto que a moradora do bairro Santa Maria, Márcia Pereira Bedeschi Pinheiro, de 51 anos, junto com uma comissão formada por outros vizinhos da Cadeia de Barroso, começou um abaixo assinado.

“Primeiramente, presídio deve ser construído fora da cidade e não no centro, como é a proposta. Tem uma Unidade de Saúde bem próxima ao local e várias moradias perto. Caso a cadeia se torne um presídio será um transtorno. Imagine se acontecer uma rebelião, fuga e colocarem fogo. Barroso não tem recursos,  como por exemplo Corpo de Bombeiros. Também  podemos  ter barulho  intenso, o que incomodará. Não  sou contra a construção do presídio,  e sim pelo fato de quererem transformar a cadeia, que fica localizada no centro”, explica Márcia.

A professora também afirma que a cadeia não tem condições de receber mais detentos. “Nossa cadeia já está superlotada, pois as celas que deveriam comportar 20 detentos,  oscilam entre 52 a 60 detentos”, afirma Márcia, que trabalhou na Delegacia como recepcionista  durante dois anos, até 30 de julho deste ano, quando se aposentou.

PRESÍDIO DE BARROSO

Para esclarecer questões relacionadas à mudança, o Barroso EM DIA fez uma série de questionamentos ao Diretor Chefe dos Presídios da Seap na região, Leonardo Badaró. “A Cadeia Pública de Barroso passará a ser denominada Presídio de Barroso, deixando de estar sob a responsabilidade da Polícia Civil e passando a estar sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Administração Prisional, liberando assim todo o efetivo da Polícia Civil para suas atividades fins. O número de Agentes Penitenciários irá aumentar de imediato à assunção e de forma gradativa será disponibilizado uma equipe multidisciplinar (assistente social, psicólogo, analista técnico jurídico, enfermeira, técnica de enfermagem, etc.) tudo isso visando um melhor atendimento ao preso e uma maior segurança para a sociedade”, esclarece.

Segundo o mesmo, não há planos para construção ou reforma do espaço, que continuará funcionando anexo à delegacia de barroso, sujeito à lotação máxima atual. “A estrutura será a mesma. Não há no momento projeto de construção de um presídio e sim o aproveitamento do próprio espaço já existente. A capacidade também é a mesma existente na atual Cadeia Pública”, garante.

O Diretor fez questão de concluir sua fala tranquilizando os barrosenses sobre a instalação do presídio. “Trata-se de um procedimento normal que já vem ocorrendo em muitas cidades de todo o Estado. Não há que se falar em aumento de criminalidade devido ao fato, a Cadeia Pública já existe, porém sem as condições adequadas de segurança e atendimento ao preso, além de onerar tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil para atividades que não são de suas responsabilidades. Com a assunção por parte da Secretaria de Estado de Administração Prisional, órgão este que possui como finalidade promover a custódia e ressocialização de custodiados, o número de profissionais irá aumentar gerando empregos, bem como a segurança de toda a população, pois a Polícia Militar e a Polícia Civil estarão liberadas para atuarem em suas atribuições específicas”, finaliza Leonardo Badaró.

O Barroso EM DIA tentou contato telefônico e por e-mail com o Delegado de Barroso, Alexsander Soares Diniz, para saber quantos presos há hoje na cadeia, qual a lotação máxima e sobre a estrutura física do local, mas até o fechamento desta matéria  as questões não foram respondidas.