BARROSO: ARRECADAÇÃO MENOR EM 2016, POR PAULO TERRA

Em matéria assinada por mim e publicada em outro jornal em agosto, opinei que estava vendo “Sombras no horizonte de Barroso”. Na ocasião ainda não sabia dos números do orçamento municipal para 2016, nem da forca em que o “ajuste fiscal do governo federal” está nos colocando, pobres “Tiradentes” do século XXI. Ao escrever a matéria citada tomei por base os dados de um gráfico publicado em dezembro/14 no informativo Notícias da Expansão pela ainda simplesmente HOLCIM.

O gráfico previa que em julho de 2015 o efetivo de mão de obra da Mendes Júnior seria 0 (zero), o que ficou apenas na previsão, já que funcionários com uniformes da empreiteira continuam desfilando em nossas ruas agora em setembro. A três meses do final de 2015 (um ano depois da previsão inicial de entrada em marcha dos novos equipamentos para o segundo semestre de 2014), Barroso ainda não sabe quando serão feitos os testes operacionais que possibilitarão o início efetivo de produção e venda do cimento do novo conjunto industrial. No mesmo artigo mencionei meu temor de que as relações entre a empresa e a cidade poderiam se tornar menos cordiais do que vinha ocorrendo nos últimos anos. Na data em que escrevi a matéria eu ainda não sabia que fora oficializada a associação das duas maiores produtoras mundiais de cimento – a Holcim e a Lafarge – com a já conhecida logomarca “H” transformada em “L-H”.

Ao consequente desemprego de trabalhadores do projeto Expansão pela conclusão das obras soma-se a situação nacional da diminuição de postos de trabalho pela previsão de PIB negativo em 2015 e, quiçá, em 2016, associado à inflação sem controle e à desvalorização do Real em relação ao Dolar. O orçamento da Prefeitura Municipal de Barroso para 2016, ao prever receita menor que a que fora calculada para 2015, já assinala que meu temor tinha razão de ser. Ou seja, a queda de arrecadação do ISS e do FPM – Fundo de Participação dos Municípios será inevitável. Por outro lado, já correm boatos na cidade de que a nova administração do consórcio L-H dará preferência à terceirização de serviços a outras empresas já servidoras do Grupo Lafarge, com prejuízo das regionais, até agora denominadas “Parceiros de Valor” pela Holcim. Empresas locais poderão sofrer um forte impacto, que talvez leve à desativação de algumas menos sólidas. Aliás, isto já vem acontecendo, pelo que ouço dizer. Em março deste ano a então Holcim empossou um novo Gerente de Fábrica. Provavelmente, com a nova realidade L-H, haverá outras mudanças nos níveis gerenciais locais. Como para todos nós, “sapos de fora”, a Lafarge ainda é desconhecida, teremos que dar tempo ao tempo para sabermos se Barroso, como comunidade do entorno da fábrica, sairá ganhando ou perdendo  com a nova potência industrial aqui instalada a partir de julho deste ano. Torço para que aconteça a primeira alternativa.

Por Paulo Terra