Barrosense que esteve no Mineirão no 7a1 conta como foi aquele dia trágico

Barrosense retornou ao Mineirão depois do 7a1

18 de julho de 2014, há cerca de quatro anos, o publicitário barrosense Max Miller Ladeira, 42, que vive em Belo Horizonte há 10 anos, onde tem um empreendimento na Savassi, entrava, acompanhado da esposa Júlia Paranhos, no estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão. Max, que passou a infância e boa parte da adolescência em Barroso, se juntaria aos cerca de 60 mil torcedores que iriam empurrar o Brasil contra a poderosa Alemanha pelas semifinais da Copa do Mundo.

Tarde de sol de uma sexta-feira, mesmo com o desfalque de Neymar, que havia se machucado no jogo anterior contra a Colômbia e estava fora da Copa, a esperança brasileira era grande e a expectativa era chegar à final do mundial disputado em casa. Daí era só esperar a Argentina na final e ser hexa. Um enredo perfeito, mas que faltava ter combinado com os alemães.

Max Miller retornou ao Mineirão e reviveu aqueles momentos
Max Miller retornou ao Mineirão e reviveu aqueles momentos

“Na verdade eu não comprei os ingressos. Achei mesmo que a sorte estava do meu lado desde quando ganhei eles. Sim, eu ganhei os ingressos em uma promoção que a Visa (Bandeira de Cartão de Crédito) realizou entre os comerciantes da Savassi. Um dia me ligaram aqui e disseram que eu tinha ganhado dois ingressos para as semifinais no Mineirão. Fiquei muito feliz, mas, como o movimento era muito grande aqui em dias de jogos, pensei em vender na hora”, diz Max que comentou com um amigo barrosense que descobriu um casal fora do Brasil que estava disposto a comprar os ingressos. “Mas depois fiquei em dúvida e não sabia se iria mesmo vender. Para me livrar daquela indecisão, chutei alto e disse que venderia por R$7 mil cada um, ou seja, o par a R$14 mil. Já joguei este valor imaginando não vender, parecia que ti-nha algo me dizendo para eu ir no jogo”, relata ele. O mais curioso é que o casal de estrangeiros topou comprar os ingressos de Max por R$14 mil. “Eles disseram sim e então eu fiquei enrolando uma semana, pensando em ir no jogo. Quando resolvi vender, entrei em contato com eles, mas já tinham conseguido comprar de outro, enfim, mais um sinal me mostrando que eu tinha que ir ao jogo”, descreve Max, como se algo positivo estivesse prestes acontecer.

“Daí fomos para o Mineirão, fizemos festa, colocamos as máscaras do Neymar e o final da história todo mundo já sabe, né? Foi aquele jogo que ficou marcado para sempre na história do futebol e eu, infelizmente, estava lá e vi, bem de perto tudo o que aconteceu”, ressalta.

Max, no dia do jogo
Max, no dia do jogo

O RETORNO AO MINEIRÃO

Quatro anos depois, a reportagem do Barroso EM DIA fez o convite a Max, para retornar ao estádio, palco da tragédia, para que ele pudesse se assentar no mesmo lugar e contar como foram aqueles momentos trágicos do futebol brasileiro. Max aceitou o convite e, acompanhado dos repórteres Bruno Ferreira e Matheus Ávila, mais o cinegrafista Alessandro Franco, retornou ao Mineirão e ainda pisou no gramado onde a Seleção

Max e a esposa
Max e a esposa

Brasileira levou os 7 gols da Alemanha. “Chegando aqui era só festa. As pessoas cantavam, o clima era favorável demais para nós. Apesar do desfalque do Neymar, os brasileiros cantavam e apoiavam a Seleção. Era um clima totalmente positivo”, diz ele ao se sentar na mesma cadeira de onde viu o Brasil, bem de perto, levar os cinco primeiros gols. “O Júlio César estava ali, a poucos metros de mim. E aí foi aquela história: 1,2,3,4,5 e ninguém entendia nada. Lembro que eu tentava xingar, mas nem isso eu conseguia. O zagueiro Dante para mim era um dos mais perdidos em campo. Lembro que tinha um rapaz aqui atrás de mim que xingava demais, estava desesperado. Achei que fosse invadir o campo. Ele estava em pânico, aos berros. E a maioria do Mineirão, calado”, relembra olhando fixamente o gramado do gigante da Pampulha. “Aí veio o segundo tempo e, apesar de estar 5×0, muitos ainda acreditavam e gritavam: eu acredito. Lembro que até cheguei a discutir com a minha esposa por causa disso. Disse para ela parar de gritar que não tinha mais como, que não dava. Enfim, aí veio o sexto, o sétimo, depois o gol do Oscar para o Brasil que não serviu de nada e o povo já estava angustiado. Engraçado que eu também lembro que nem vaiar as pessoas estavam conseguindo vaiar. Parecia uma coisa surreal, que não estava acontecendo. Foi horrível, foi a maior tragédia futebolística que já vi”, finaliza.

DOCUMENTÁRIO

Por cerca de 40 minutos a equipe de reportagem acompanhou o torcedor barrosense e reviveu aqueles momentos trágicos que serão publicados ainda neste mês em mais um documentário. Em cerca de 30 minutos de duração o filme deve ser lançado no Canal Youtube do Barroso EM DIA. Desde o convite para retornar ao estádio, que aconteceu no seu empreendimento na Savassi, até a ida de carro para o Mineirão e os momentos fora e dentro do campo serão abordados no documentário que foi gravado pela equipe de reportagem no mês passado na capital mineira.

Para assistir ao trailer, acesse a Fanpage do Barroso EM DIA e vá até vídeos.

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