Artigo em homenagem ao Dia da Árvore: Primavera Silenciosa

Foto: Gerinho Resende / Olhares de Barroso

Sirvo-me deste título para compartilhar algumas inquietações sobre o nosso “SILÊNCIO”, frente aos inúmeros focos de incêndios por nós presenciados todos os dias, em todos os lugares. O referido título é emprestado do livro “Silent Spring” (A Primavera Silenciosa), que foi lançado em setembro de 1962 pela bióloga e escritora americana Raquel Carson, e é considerado um marco na conscientização ambiental.

A estação das flores chega com a comemoração do dia da árvore no dia 21 de setembro. No Brasil a árvore reconhecida como símbolo nacional é o “Pau-Brasil” (Daesalpinia echinata Lam) e a flor é o “Ipê Amarelo” (Tabebuia chrysotricha e Tabebuia Alba). Que tal fazermos também a nossa comemoração, buscando conhecer as árvores que estão plantadas em frente nossas casas e ruas, e lembrar-se de agradecer a Deus pela sombra e pelo ar puro, serviços gratuitos que recebemos diariamente.

Na natureza folhas caducas não significam caso de loucura, pelo contrário, é uma lúcida estratégia das árvores, que no inverno recebem pouca intensidade de luz e água, com isso, elas mantêm apenas atividades fotossintéticas, diminuindo assim o esforço na conservação das folhas e na perda de água por transpiração.

Neste belo cenário, mais precisamente durante os meses mais secos do ano, entram em cena “os incêndios florestais”, que segundo os especialistas, trata-se do maior inimigo da preservação dos recursos naturais. A cada ano, nossas florestas são destruídas pelo fogo, e com elas, milhares de espécies da fauna e da flora. Na maioria dos casos são criminosos e tem por trás fins econômicos. Os incêndios florestais provocam impactos irreversíveis à natureza e as conseqüências desta ação são sentidas por todos os seres vivos do planeta, em escala local e global. E o que é pior, o impacto maior não é visual, formado por imagens de chamas e cinzas, e sim, o que não se enxerga a olho nu, como a eliminação de microorganismos responsáveis pela estabilização do solo e a liberação do dióxido de carbono (CO2), um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Nesta época do ano, as matas da nossa cidade e região, a exemplo do que acontece no Brasil, são vítimas também dos incêndios florestais, e a partir de agosto, junto com a força dos ventos, as queimadas se espalham e intensificam. E o ciclo vicioso se repete mais uma vez, destruindo as matas ciliares, as encostas e topos de morros, gerando como consequência, solos expostos e desestabilizados, agravados com a chegada das chuvas do final do ano, resultando perda de solo fértil, deslizamentos de encostas, assoreamento dos córregos e rios e por último, inundações e enchentes.

Não podemos continuar sendo expectadores destas agressões e apenas lamentar a árvore queimada. Não podemos nos incomodar só com a fumaça e fuligem que caem sobre nossas casas. Quando os brigadistas e bombeiros chegam para combater um incêndio, é sinal que o pior já aconteceu.

Segundo as autoridades policiais da região, os incêndios ocorridos são quase em sua totalidade atos criminosos. Temos que ficar de olho, cobrar das autoridades e proprietários das matas ações conjuntas de educação, proteção, fiscalização e combate a este que é o maior desafio da preservação das florestas.

Então, ao vermos sinal de fumaça ou qualquer ato suspeito, temos que denunciar, pois se ficarmos alerta formaremos uma espécie de “rede voluntária de proteção das matas”.

Que o nosso silêncio esteja apenas nos momentos de reflexão, e que façamos desta primavera um momento também de renovação, recomeço e vida nova. Sigamos o exemplo das plantas que após o recolhimento no período de inverno, nos mostram que sempre é possível recomeçar, dar um novo sentido e buscar na luz do sol a energia que precisamos para superar nossos limites e vencer os desafios.

Mobilize-se, reúna a família e amigos, juntos podemos reduzir os incêndios florestais em nossa cidade e região.

Por Maurício Ferreira | Pedagogo, Especialista em Educação Ambiental, Especialista em Administração e Manejo de Unidades de Conservação, Mestre em Gestão Ambiental